quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Somos a Geração

E desde que nascemos
Aprendemos e ouvimos que somos fortes.
Destemidos.
Preparados.
Inteligentes.
Que faríamos tudo se tornar possível com nosso talento.
Que conseguiríamos tudo que sempre almejamos.
Que teríamos sucesso no lado profissional e amoroso.
Mas anos depois...
Estamos mesmo 
Nos tornando uma geração de frustrados.

Crescemos sonhado com uma carreira brilhante e satisfatória.
Um amor de cinema.
Uma vida feliz e perfeita.
Tudo tão simples e programado
Que nos preparamos para tudo
Mas para não ter isso!!

E assim
Somos essa geração “estranha”
Que passou a não valorizar o simples
A sorte.

Que passou a não achar graça de nenhuma no básico.
Em férias que não sejam viajando.
Em qualquer amor
Que não seja intenso nem devaste.

E assim
Somos a geração do impossível
Dos sonhos mirabolantes.

Quantas e quantas vezes já não vimos tantas pessoas
E até nós mesmos
Com um vontade absurda de chutar o balde
Largar tudo
Ir morar em outro país
Abrir uma empresa
Ser rico e famoso.

De descobrir novos sentimentos
De se envolver com o que não temos
Não sentimos
E de sair correndo atrás daquele amor que dilacera.

E assim
Somos a geração que quer tudo
Mas não aceita nada.

Não aceita a vida como ela é.
Não aceita a vitória que existiu até agora.
Não aceita alguém que oferece carinho.

A geração que reclama da sua vida
Mas não abre mão da zona de conforto.

A geração que reclama da falta de amor
Mas não abre mão das escolhas vazias
Ou de dar a chance pra alguém que realmente mereça.

Reclamamos que as pessoas são vazias
Que ninguém se interessa mais por ninguém
Que não tem ninguém interessante.
Mas achamos um saco explicar pra alguém
Quem realmente somos.

E assim
Somos a geração de infelizes
Pobres coitados
Depressivos
Que só enxerga o sentido da vida em grandes feitos.
Como se a felicidade
E o amor
Fossem impossíveis
De achar nos pequenos atos
Nos pequenos gestos
Na simplicidade de um dia a dia.

Somos a geração dos dispensados
“Dispensantes”
E dispensáveis.

A geração dos descartáveis
Do usou gastou.

A Geração dos mimados
“Do quem é fácil não tem graça”
“Se ele gosta de mim tem algo errado”
“Quero tudo que não tenho”.

Dispensamos
Temos medo de viver emoções
Achamos que tudo deve ser como um filme
Uma novela
Com fogos
Amores à primeira vista
Emprego dos sonhos
E assim seguimos na vida:

Infelizes
Com uma vontade absurda de jogar tudo pro alto.

Mas estáticos
Sem nenhum senso de avaliação própria.

Sem a mínima coragem
De abrir mão de nada.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Deu Certo

E a gente deu certo pelo destino.
E a gente deu certo pelos sonhos em comum.
E a gente deu certo pelo jeito que fazíamos nos sentir.
E a gente deu certo pelos sorrisos da manhã.
E a gente deu certo pela amizade.
E a gente deu certo pelo companheirismo.
E a gente deu certo desde o primeiro dia.
E a gente não deu certo pelas escolhas.
E a gente deu certo pelas confidencias.
E a gente deu certo pelo cuidado.
E a gente deu certo pelo carinho.
E a gente deu certo pela força mútua.
E a gente deu certo pelo “vai ficar tudo bem”.
E a gente deu certo porque o que tem de ser tem muita força.
Porque a gente foi assim:
Mesmo com tudo de bom
Com todos os motivos
E sinais a nosso favor.
Foi por um medo
Um motivo irrelevante
Por um detalhe
Que não foi.
Tipo o “não” escrito na oitava linha
Que quase ninguém percebeu
Mas fez toda a diferença...

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Verbo Ser

E quem sabe eu e você somos
Feitos um para o outro
Mas não sabemos.

E quem sabe eu e você fomos
De outra vida
Mas nem imaginamos.

E quem sabe eu e você éramos
Para estar juntos
Mas não deu certo.

E quem sabe eu e você fôramos
Destinados a ser algo mais
Mas não nos entendemos.

E quem sabe eu e você seremos
Só isso mesmo
Mas não queríamos.

E quem sabe eu e você sejamos
O maior erro do destino
Mas nem desconfiamos.

E quem sabe eu e você seríamos
O casal mais feliz de todos
Mas nem começamos.

E quem sabe eu e você fôssemos
A história mais divertida
Mas não tivemos coragem.

E quem sabe se eu e você apenas formos
Nós mesmos
Mas não conseguimos.

E quem sabe sejamos eu e você
A família que sempre sonhamos
Mas não nos demos conta.

E quem sabe não sejamos eu e você
Os fadados ao fracasso
Mas nunca saberemos...

E quem sabe
De tantas possibilidades
Encontros
Desencontros
Chances 
E tempos verbais
O quanto ainda falta para o tal infinitivo pessoal
E eu e você chegarmos na melhor parte da conjugação

A conclusão (sem nenhum "mas")

De enfim

SERMOS...


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Deixar Ir

E por mais que doa por inúmeros motivos
Certas coisas temos que deixar ir.

Deixar ir é evoluir
É cortar excessos.
É respeitar e entender que tudo tem seu tempo
Fazem parte de um ciclo
Precisam evoluir
Não podem ficar nos mesmos lugares para sempre.

Deixar ir é sinal de maturidade.
É evolução.
É tirar o peso dos fatos.
Deixar de carregar o fardo da obrigação.
É cortar elos que existem simplesmente por existir.
É libertar
E ser liberto.

Deixar ir é crescer.
É perceber que o tempo passa
Que o mundo não gira ao nosso redor
Que tudo tem sua missão própria
E que os pronomes possessivos são apenas rótulos.
O que um dia foi nosso
Com a mesma facilidade
Também tem que deixar de ser.

Deixar ir é aceitar que o infinito não existe
É se abrir
Descobrir coisas novas
Mudar de página
Repetir pra vida o clichê
Que "é pra frente que se anda".
E que é possível ser feliz sozinho.

Deixar ir é exercício de aceitação
É lidar com o ego
Aprender sobre perdas
Erros e acertos.
É crescer e entender 
Que não se pode abraçar o mundo com a mão.
Não da pra ter tudo.

Deixar ir é aceitar o que não da certo
É não ter que inventar interesses
Ou motivos para sentir falta.
É não procurar apenas quando precisa.
É não tratar ninguém como propriedade
É não prender sem motivos
Enxergar que não vai dar certo.
É se convencer
Que certas coisas são assim e pronto.

Deixar ir é altruísmo
Se livrar do pensamento egoísta
É agradecer pelo tempo que se teve
É aceitar que daqui em diante
Cada qual tem que partir sozinho.

Deixar ir também é ganhar.
É viver em paz.
É zerar tudo
É recomeçar
Olhar cada descoberta como uma nova possibilidade
É perceber como uma dádiva
O fato de poder ser o que quiser novamente.


Porque deixar ir não é escolha
É obrigação.

O fim
O fechamento de um ciclo
Uma oportunidade de tirar a prova real:

A única maneira do mundo de ter certeza
Que o que volta
É o que realmente tem que ser...

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

F´s da Vida

Força às vezes me faltou.

Fé nem sempre foi possível.

E como Foco eu nunca tive:

Não ligar pra nada
Foi o que me fez sobreviver.

Dos F´s da vida
Foi o foda-se
Que sempre me salvou...

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Amor Digital

Em tempos digitais
O amor está:
Ultrapassado como uma foto do Orkut.
Distante como um antigo contato do ICQ.
Interesseiro como uma conexão do Linkedin.
Impossível como ainda ter MSN.
Difícil como achar alguma foto sem filtro no Instagram.
Alterado como um perfil de Facebook.
Mais raro do que uma ligação.
Banal como um emoticon do Whatsapp.
Com a duração de um Snap chat.
Off-line

Como todo celular no carnaval...

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Quem Sou

Medo
Eu tive mesmo
De deixar você ir 
Sem dar tempo de mostrar tudo aquilo que eu era.

De quem eu sou:
(Apesar do aparente desencanto)

Eu sempre morri de orgulho...