quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Tudo em Tudo

Na tentativa de ser quem não era
Errou
Em não aproveitar a maravilha que é ser o que se é.
Tentando adivinhar o que estava escrito
Perdeu tempo
De preencher tantas páginas que ainda estavam em branco.
Por medo de sentir a dor de uma derrota
Não lutou
E ficou sem descobrir o aprendizado de cada batalha.
Por perder tempo pensando em tudo que tinha passado
Não enxergou
Todo o lindo futuro que ainda existia pela frente.
De tanto não fazer por medo de dar errado
Não viveu
Coisas inesquecíveis que só a impulsividade proporciona.
Na busca de resolver logo o que tinha que ser resolvido.
Não viu
A maravilha que o tempo é capaz de fazer.
Porque na tentativa exacerbada de controlar o destino
Não percebeu
Que era destino que controlava tudo...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Sequestro Relâmpago

Ele entrou e disse:
”Não desce”
Senti uma falta da minha infância
E dos trombadinhas de canivete.
Eles vagando pelas ruas
Que boas lembranças
Procurando pelas suas andanças
Kenner e algum outro chinelo
Uma vez até ajudei
"Leva também esse livro que não quero”.
Mas agora o bagulho é sério
Não dá tempo de correr
Tem essa coisa do mistério
De não saber o que vai acontecer...
Não tem mais mochila
Nem relógio
Ou aquela merreca que a gente esconde.
Eles estudam apostila
Sabem de tudo
Bijuterias conhecem de longe.
Agora é carro
Iphone
Produto de ponta
Carteira nem pensar
Dinheiro só com saque direto na conta.
Agora é diferente...
Tem passeio
“Devagar, devagar”
"Bota o pé no freio!!!"
Nunca vi ladrão que gostava de correr.
Pra dizer a verdade
Será que é um pré-requisito
Essa aversão por velocidade?
Mas tudo mudou
Eles estão folgados
To vendo o dia que vai ser:
“Dirige até  Cancun que eu to estressado”.
Se bem que deve estressar mesmo
Ficar parado
Surgir do nada.
Esperar horas e horas
Para a próxima emboscada.
Sem contar o azar
Que é escolher um azarão
Vai que o cara é PM?
Depender da sorte não é mole não...
Eles são profissionais
Fazem tudo direitinho
Mantém a cara de mal
Mesmo que no fundo sejam bonzinhos.
Da pitaco no meu rádio
Pelo menos ele pode
Fica estressado:
“Porra, cadê o pagode?”
E a mãe liga
Mas que momento inoportuno
Mas é aquilo
Ladrão tem família igualzinho a todo mundo.
Ele da uma voltas
Vê a paisagem
Virei uma espécie de motorista
Deveria cobrar a passagem?
Agora ele tem pressa
Quer ver o jogo
Que ladrão doido
Aposto que é Botafogo...
Sinto medo
Mas a pose mantenho
Mesmo quando ele leva o que é meu
E até o que eu não tenho...
Leva tudo
Mas no fim das contas ele é desconhecido e pode
Pior é o governo que me rouba
E gente conhecida que me fode...
Por isso talvez
Só pelo carinho de no final apertar minha mão
E me deixar inteiro
Eu já pensei:
“Que cara Sangue bom”
“Que maluco maneiro...”

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Resumindo...

Sempre me preocupei mais de ser
Do que parecer.
Nunca me preocupei com rótulos
A não ser o dos remédios
E das garrafas de vodka
Ta aí uma coisa que já tomei
Mas nunca gostei:
Vodka sem qualidade.
Sempre fui normal
Dentro da minha concepção é claro.
Senti saudade do que não vivi
Arrependimento de tudo que não dependeu só de mim
E um bando de outras coisas confusas
Que todo mundo sente
Mas não assume.
Tenho uma ligação estranha com o chão
Poço
E afins...
Caio
Talvez
Mais que o mundo inteiro
Mas sempre dou um jeito de levantar.
Me apoio
Me escoro
Peço ajuda
Trago pra mim a resiliência
E inexplicavelmente tudo se resolve.
Às vezes acho que tenho uma maldição
De sentir
Mais do que poderia
Mais do que aguento.
É confuso
Tem dia que sinto todas as dores de um mundo em um só dia
Já em outros
Não sinto nada
Nem pena...
Vivo as voltas com o acaso
Acho-o um brincalhão na verdade
Sempre pregando peças
Dando sinais imperceptíveis
Caminho doidos
Mas no fim das contas a gente se entende sabe?
Vire e mexe ele está me dando uma moral.
Canto demais
Tudo me lembra uma música
Talvez seja coisa do meu lado distraído
Distrair-me para o tempo passar mais rápido
E assim a vida passar logo.
Encanto me facilmente
Por tudo
Me apego
Me apaixono
E esqueço...
Mas nunca esqueço de vez
Sempre fica aquela ponta
Aquela coisa meio sonsa
Da vaca que se finge de morto pra urubu
Que só espera um empurrão do destino
Pra tudo voltar a ser como era.
Já me disseram que eu nasci no dia do mais ou menos
Porque sempre fui de deixar tudo pra depois
De protelar
Começar e não terminar
Mas ta aí...
As pessoas mudam
Eu mudei
E hoje
O que eu começo eu termino
Não deixo quase nada por fazer
(só o que não pode ser feito).
Padrão nunca foi meu forte
Nasci em um número sequencial
E isso deve ter algum significado pra alguém.
Tenho 3 roda moinhos no cabelo
Talvez por isso nunca fui de penteá-lo
A não ser em ocasiões especiais
Como um fim do mundo
Ou coisa assim...
Pensando bem até combina
Com meu estilo desleixado
Amarrotado
E distraído de ser.
Sempre fui falante
Mas as coisas mais importantes
Sinto que não falei
Deixei que percebessem
Às vezes acho que meu olhar é tão óbvio
Que até um cego perceberia o que sinto
Já outras acho que ninguém é capaz de decifrá-lo
Vai entender...
Faço amigos com facilidade
Apego-me a sorrisos
Acho que nem é coisa de família
É coisa minha mesmo
Talvez uma necessidade de conhecer um outro
Talvez nada
Só sorte de sempre ter boas pessoas na vida.
Sou bagunceiro ao extremo
Minha mãe acha que é falta de compromisso com a vida
Eu já acho que é o contrário
Que é tanto compromisso
Que nem fico me apegando
A detalhes pequenos
Como uma coisa caída no chão.
Sem contar que sempre gostei de bagunça
De coisas fora do lugar
Confusão
E tudo que deixa a gente sair um pouco da rotina
Dessa chatice que às vezes é ser quem somos.
Sou muito de correr
Vivo correndo
Na rua
Nos horários
Sempre com pressa
Eufórico
Adiantado
Às vezes acho que os limites geográficos são até poucos pra mim
Mas me contento com o que tenho.
Otimista
Essa palavra me resume bem
Sempre espero algo grande
Assim
Meio que do nada
A verdade é que desde criança sempre achei que ganharia na Mega Sena
E ainda está em tempo...
Acreditar sempre foi meu forte
Nunca consegui ver outra opção em nada
A não ser o ter que dar certo
E insisto
Com fé
Na procura de mais e mais.
Porque de tudo em tudo
A busca da felicidade
No final das contas
Em todos os detalhes possíveis
Foi o que sempre me motivou...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Soneto da Ausência

Eu vivo nessa agonia
De ter que manter a esperança
Mesmo quando meu eu se cansa
De procurar por alegria.

Eu luto por energia
Pra dançar mais uma dança
Com fé na tal mudança
Do nascer de um novo dia.

O triste é que o mundo se acostuma
E vê graça até na abstinência
Da gargalhada de um sorriso frio.

Esquecendo-se que o nada é ausência
E de que na ausência e no vazio
Não há graça nenhuma.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Incrível

Parecia que não ia acabar nunca
Mas acabou.
É incrível como o pra sempre têm validade...
Parecia que não ia parar nunca
Mas parou.
É incrível como o infinito perde a força...
Parecia que não voltaria nunca
Mas voltou.
É incrível como o improvável é teimoso...
Parecia que não aconteceria nunca
Mas aconteceu.
É incrível o poder que a fé tem de resolver as coisas.
Parecia que não seria nunca
Mas foi.
É incrível a capacidade que uma mudança de postura tem.
Parecia que não conseguiria nunca
Mas conseguiu.
É incrível a força que a necessidade faz a gente ter...
Parecia que não ia passar nunca
Mas passou.
É incrível a capacidade que o tempo tem de fazer milagres...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Natimorto

Tem épocas que a gente faz o que quer da vida
Quase esquece que ela existe
É inconsequente
Não leva a sério
Brinca
Debocha
Não obedece
Não segue
Não pensa
Não enxerga
Faz ela de imaginário
Irreal
Algo incompleto
Como o nosso próprio reflexo
Invertido no espelho.
Tem épocas que a vida faz o que quer da gente.
E como um pai que tenta educar
Cobra
Magoa
Machuca
Bate
Bate de novo
Bagunça tudo
Desarruma o que tava arrumado
Bota o dedo na cara
E pergunta: “E aí?, vai ficar parado?"
Confunde nosso redor
Faz o que não devia acontecer
Acontecer  ao mesmo tempo
 Transforma a paz em caos
Num simples piscar de olhos...
Mas tem épocas
Que tudo é assim
Do jeito que é...
Da maneira que tem de ser
E as coisas por mais que obscuras e tristes
Conseguem ser irritantemente claras
Tudo tão preto no branco
Daquele jeito reto
Único
Exclusivo
Com uma porta apenas
Um só caminho
Que de uma maneira ou outra
Por mais rebelde que eu seja
Ou por mais magoada que a vida esteja comigo
A única coisa que eu posso fazer
É o que tem que ser feito...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Aflora

É tanta ironia
Que tá me dando agonia
O que eu faço agora?
Longe de ter alegria
Cada vez mais perto da nostalgia
Já deu nossa hora?
Já foram tantas desculpas
Que você quase me insulta
Será que um dia melhora?
É tanta coisa oculta
Que eu preferia ficar com a culpa
Desse jeito que você me adora?
Não sei o que tem na mente
Pra desfazer tanto da gente
Pra que tanta demora?
A vida é tão urgente
E você saindo pela tangente
Um dia tudo aflora?
O problema é que tudo é muito lento
Na espera desse tal de tempo
É o medo que devora?
Será que preciso de algum talento
Pra enxergar que não é nosso momento
Alguém nos monitora?
Eu querendo uma novela
E você cheia de cautela
Na boa, eu to caindo fora!
Eu ameaço e você nem pra ir à janela
Pra gritar um lindo e sonoro “me espera”
To sendo obrigado a ir embora...