segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Meninos e Meninas (E a Parte de Um Todo Que Eu Tinha Pra Te Dizer)

...E você eu guardei com todo carinho...

E até achei mesmo que você fosse voltar
Como quem voltasse de uma viagem longa.

Falando-me um monte de coisas que qualquer um que gosta
Sonha em ouvir.

Como que sentiu saudade
Que se arrependeu de tudo que fez e disse.
Que não se imagina sem estar comigo.
E que eu era sim o homem da sua vida.

Ou talvez nem tivesse coragem de me falar tudo isso.
Apenas apareceria do nada
Com alguma desculpa trivial:
Que sonhou comigo
Que se lembrou de mim porque comeu pipoca com amendoim
Ou ouviu Legião Urbana.

E daí eu ia ficar um tempo te olhando
Ou quem sabe para sua mensagem.
Apenas olhando
Sem dizer nada...

Até ter coragem de te contar tudo que estava engasgado dentro de mim:

Que você me doía demais. 
Que eu não não estava conseguindo seguir de boa.
Que você é a primeira coisa que me vinha a cabeça quando abria os olhos.
Que eu pensei em você todos os dias.
Que eu me lembrava de você em tudo que ouvia.
Que tinha um pavor de passar na frente da sua casa
E que em meu silêncio existia muito mais medo
Do que descaso...

Por algum tempo eu até achei que te encontraria.

Na rua
Na academia
Em algum supermercado comprando tapioca.

No meio de alguma festa
Em uma esquina
Ou no meu clichê favorito do banco de praça.

Precisava te ver
Só pra te dizer aquele monte de coisas
Pra te dar um abraço igual ao do primeiro dia
Te olhar nos olhos como no primeiro dia
E rezar profundamente 
Só para ver se o tempo voltava
Nem que por alguns minutos
Para aquele primeiro dia.               

Mas aí o tempo foi passando
Entristecendo.
As coisas continuaram a acontecer mesmo sem você.
As pessoas foram chegando sem você conhecer.
Minha rotina já não tinha você no final.

Passei a contar os dias que você foi pela cartela de antidepressivos.
E a data dá sua ida foi ficando cada vez mais longa
Que foi até fazendo aniversário
Mas sem direito a sorriso
Bolo
Ou parabéns.

Nossas fotos foram se perdendo
Ficando cada vez mais distantes no álbum do celular.
Assim como nossa rotina
Os acontecimentos de cada vida.
E nós...

E assim
Quando a ficha então caiu
E de tudo em tudo que eu já quis viver
Dizer
Ou ouvir
Agora era apenas a verdade.

Enfim a verdade que eu queria
E enfim precisava para fechar o ciclo.

Precisava dessa conversa.
Precisava entender o que aconteceu
O que eu vivi
O que vivemos.
O que tivemos.

Precisava saber do que te chamaria
O que eu sentia
Como te guardaria
Para conseguir ir 
E te deixar ir em paz...

Mas aí mais uma vez o tempo 
Esfregando esse silêncio na minha cara
Como quem dissesse "acorda!".
Só confirmaram que eu não precisava de um fechamento
Não precisava escrever sobre você pra fechar o ciclo.

Porque o ciclo sempre esteve fechado.

Fechou no dia que nos dissemos quase tudo.
Fechou no dia em que te encontrei como quem ia para um abatedouro.
Fechou no dia que coloquei a roupa que você mais gostava
Só pra te ouvir dizendo que não gostava mais de mim.
Fechou no dia em que enfim percebi que:

Eu não era pra você
Você não era pra mim.

E apesar das lágrimas
Esse tal ciclo que eu queria tanto fechar
Já estava mais que fechado
Enterrado
E esquecido.

Provavelmente nem existiu
Como qualquer lembrança sua na minha casa.

E assim:

Da fantasia eterna da parceria do "nós"
Eu vivi mesmo
Foi tudo sozinho.

Foi covardia despertar tanta coisa 
Se você não pretendia ficar.

Ninguém é obrigado a gostar de ninguém
Mas a verdade que eu tanto te pedi
Nunca custou nada.


Eu apenas precisava de um fim para o meu recomeço...


Obs: Juro que tentei te guardar com todo carinho

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Nem Todo Carnaval Tem Fim

E quem poderia dizer
Que eu te acharia logo assim
No momento em que eu menos procurava.

Como se os clichês estivessem certos
E era só eu não esperar
Ou não estar nem aí para te encontrar;
Para então você aparecer.

E assim
Quem poderia imaginar
Que no meio tanta gente
Entre tantas probabilidades
Possibilidades
De encontros e desencontros
Cordões
Colares
E máscaras de uma fantasia qualquer
Eu te acharia
E mudaria minha vida inteira.

Quem poderia imaginar que entre tantas alegorias
Nos veríamos realmente como somos.
Com tanto barulho
Nos apaixonaríamos pela conversa.
Com tanta casualidade
Falaríamos por horas.
E entre tanto abandono e descaso
Nos daríamos aos mãos.

A grande verdade é que vi em você algo que nunca tinha visto
Um brilho
Uuma purpurina nova
Daquelas que jamais sai
Que entranha
Com gosto de amor
E sabor de futuro.

Era como se um novo mundo se abrisse
Não conseguia mais ser o mesmo.
Mal o bloco virava esquina
E eu já sentia saudade dos melhores 5 minutos da minha vida.

Talvez até isso já estivesse escrito
Há tempos antes de nós.
Talvez tenha sido golpe do acaso
Aquele de 1 em 1 milhão.
Talvez já até tenhamos nos fantasiados
Em outras vidas
Quando nós dois éramos gatos.
Talvez fosse apenas parte de uma lição
De algo maior para os dois.

Mas independente de qualquer coisa
Ainda que esse carnaval precisasse até ter mesmo um fim
Sei que a minha fantasia com você


Vai durar pra sempre...

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Existencialismo Na Era do Machismo

A grande verdade é que apesar de toda confusão existente em nossas vidas
Somos os únicos responsáveis por nossa existência.
Essa afirmação pode soar como autossuficiente e assustadora
Porém
Mesmo com todas as questões sobre destino
Acaso
Natureza
E sincronicidade
É inegável que apesar de todas as condições pré-estabelecidas em que nascemos
Somos os principais responsáveis pelo caminho que seguimos.

Somos seres com autocritica elevada
Nos cobramos muito
E Talvez por isso às vezes realmente é bem difícil de aceitar
E reconhecer que alguma decisão
Ainda que minimamente
Tenha sido tomada de maneira errônea.
Culpamos tudo
A sorte
A vida 
E o destino
Nos esquecendo que ninguém
Pode ser o responsável pelo rumo que tomou as nossas vidas.

Ainda que tenhamos sido influenciados por alguém
Ainda que seguimos um outro por uma estrada
Ou pegamos carona na inconstância de outra vida.
Desde o momento que uma decisão foi tomada
Aquele caminho passou a ser completamente responsabilidade nossa.

Realmente é antagônico
Queremos viver uma vida de liberdade
Mas liberdade demais assusta
Apavora.
Toda escolha gera angustia
Medo.
Porque em um mundo com tantas portas escancaradas como o que se tem hoje
Sabemos que ao escolhermos um caminho
Deixamos para trás mais uma infinidade de possibilidades e probabilidade de outros
Que nunca saberemos como seria.
O grande espiral injusto do “Se...”

E no final das contas
É apenas isso que realmente somos:
O conjunto dessas questões
Dessas escolhas
Das frustrações
Arrependimentos
Tombos
Tropeços
Cicatrizes
aprendizados
E caminhos que tomamos por nossa culpa
E de mais ninguém.

Se não fizemos
Não vivemos
Se não vivemos
Não somos
A equação chega a ser complexa de tão simples.
Talvez por isso chega até ser um absurdo
Que alguma pessoa se ache superior a outra por fatores externos.

Ninguém pode impor o direito ou dever de ninguém.
Ninguém pode achar que está acima do que o outro pode fazer.
Nosso sexo não define o que podemos ou não fazer
Ninguém se sobrepõe a ninguém.
Somos seres iguais
Com as mesmas chances
Direitos
E deveres.
O que nos faz diferentes são nossas escolhas.
Nosso futuro está em nossas mãos.

Somos o que somos
Vivemos o que temos pra viver
Somos frutos de nossos sonhos
Nossos próprios julgamentos
Nossa prisão interna
Nesse cárcere que nos aprisionamos por medo
No qual a única condenação
Da pena que recebemos
(Mas nem sempre cumprimos)
É ser livre
Pra correr contra essa insatisfação crônica
Que é tentar ser feliz

Sem querer sorrir...

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

O Desaparecimento de Eleanor Rigby

E do amor?
O que é que fica?

O saber praticamente tudo sobre alguém
Ou achar que nem se conhecem?

O orgulho de tudo que já foi realizado
Ou o pesar do que não aconteceu?

A lembrança da comida favorita
Ou a cadeira vazia na mesa?

“Foi eterno enquanto durou”
Ou o silêncio dizendo que não foi nada?

O orgulho de ter vivido algo fantástico
Ou o desespero de não ser nunca mais?

A vontade de contar tanta coisa
Ou a trivialidade da próxima conversa?

O sorriso da lembrança
Ou a dor do que não consegue ser esquecido?

A emoção de terem sido dois
Ou a solidão de ter que voltar a ser sozinho?

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Encontros, Desencontros. Reencontros

“A vida é a arte do encontro
Embora haja tantos desencontros por aí”
Já dizia Vinícius tentando
Explicar o ato quase inexplicável que é viver.

A grande verdade é que pra mim
Nada acontece realmente por acaso.

A gente encontra quem tem que encontrar
A gente desencontra quem precisa desencontrar
E a gente reencontra o que realmente estava programado pra ser.

Na vida não existem erros
No momento certo
Tudo se ajeita.

Quantas e quantas vezes não nos perguntamos
O porquê de tamanha coincidência.

Como encontramos determinada pessoa em determinado local.
Como conhecemos pessoa em determinada situação.
Naquele exato momento.
Na hora que mais se precisava.
Como se o roteiro de nossas vidas fosse tão detalhadamente escrito de forma magistral
Que o simples fato de abrirmos os olhos toda manhã
Abre um infinito de possibilidades de tudo.
Nunca saberemos o que encontraremos por aí.

E cada encontro que damos
Cada pessoa que esbarramos.
Cada frase que trocamos
Cada ajuda que recebemos.
Seja de alguém que chega
Ou de um desconhecido que não veremos nunca mais
Está interligado
É parte do universo
Da existência
Da meta
Para ser quem somos.

E assim acontece também com os desencontros.
Quantas e quantas vezes não entendemos como desencontramos de alguém?
Como não vimos determinada pessoa no mesmo local?
Como não encontramos quem queremos tanto encontrar?
Como paramos de nos ver?
Por que não nos conhecemos antes?
Ou depois?

E assim
Da mesma maneira que somos agraciados pela oportunidade de tantos encontros
Somos obrigados a lidar com a frustração dos desencontros:
Com os não que recebemos
Com o tempo do relógio
Que às vezes não funciona da mesma maneira pra os dois lados.
Com a confusão
O mal entendido
A distância
O lugar vazio na mesa
E a impotência que contrasta com nossa vontade.
Afinal
Para nós
Se queremos tanto
Tínhamos que receber...



Mas novamente
Nada acontece por acaso.
E a vida nos prova isso da maneira mais sútil de todas.
A vida só é entendida quando olhada pra trás
E assim:
Toda pessoa que nos despedidos nos deixa uma lição
Um aprendizado
São partes do nosso molde
Peça fundamentais da nossa evolução.

E o reencontro está ai pra nos mostrar que tudo tem o seu tempo
Sua hora
Seu momento.
Que o que tem de ser tem muita força.
E se tivesse realmente de ser
Seria de qualquer jeito.
Afinal
Merecemos ser mais!
E entre chegas e partidas
Encontros e despedias
Ois e tchaus
Proximidades e distâncias.
A gente continuaria com caminhos cruzados.
Mas nem cedo
Nem tarde,
Nem antes
Ou depois


Apenas obedecendo a lei do agora...

sábado, 13 de janeiro de 2018

Assimila

Se eu fosse você me assimilava...
Afinal o mundo anda tão sem graça
Impaciente
Desinteressante
E desinteressado.
Que conversar como conversamos
Falar sobre tudo que falamos
Acaba sendo tão raro
Que não dá pra deixar ir assim embora
Sem tentar um pouco mais.

Se eu fosse você me assimilava...
Pegando a média do mundo
Meus defeitos são totalmente perdoáveis.
As qualidades 
Como habilidade com as duas mãos
Passam a ser louváveis,
E assim no pesar da balança
Com tanta coisa que vemos aí no dia a dia
Até que eu ser bagunceiro
Acaba sendo um pouco charmoso.

Se eu fosse você me assimilava...
Sou provavelmente um dos últimos românticos vistos por aí.
O das declarações
Das demonstrações
Das lembranças.
E apesar de não ter uma forma de demonstração de amor
Muito parecida com a sua
Ter a casa espelhada de presentes 
Até que não cai mal.

Se eu fosse você me assimilava
Fujo do clichê
Dos tipos já vividos e cansados.
Sou do tipo do inédito
Do improvável
Capaz de levar você pro outro canto da cidade
Só porque lá provavelmente tem o melhor pistache
E voltar cantando no carro alguma música do Michael Bublé
Como se tivesse ido na esquina.
  
Afinal
Se eu fosse você me assimilava...
Até porque em um mundo com tanta coisa
Com tantos traumas
Tantas portas
Tantas possibilidades
Tantas oportunidades
E tantas probabilidades...
Só de ter alguém que faz questão de ser assimilado
É sim
Um ótimo motivo para se assimilar.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Santo André

Olha
Eu não sei se sabe
Mas você com seu jeito
Carinho
E cuidado
Conseguiu trazer pra mim tantos sentimentos
Que eu nem sabia que existiam.
Aliás
Saber eu sempre soube.
Mas eles são tão fortes
E ao mesmo tempo tão inocentes
Que alguma coisa aqui dentro de mim
Talvez o meu lado mais puro e infantil
Gosta sim de pensar que é a primeira vez.
Afinal
Como poderia pensar que depois de ter vivido tantas coisas
Conhecido tanta gente
Passado por tantos lugares
Aberto e fechado tantas portas
E sentido o gosto amargo da realidade
Ia conseguir viver assim
Fantasiando coisas de uma história em um fim do mundo
Tão perfeito
Que olhando assim pra trás
Dá até a impressão mesmo que nunca nem aconteceu.
E agora me pego eu
Na realidade
Tentando provar pra mim mesmo que tudo foi real.
Analisando nossas conversas
Suas falas
Se você disse o que eu acho que disse
Se você sente o que eu acho que sinto
Se você é como eu acho que é
Ou apenas mais uma pessoa que eu inventei.
Mas você é real
Sei que você é real!
Afinal
Como poderia eu me imaginar sorrindo só de lembrar seu sorriso
Meu coração bater só de pensar no seu rosto
Me arrepiar imaginando seu abraço
E passar noites e mais noites sem dormir
Pensando no tal do quem sabe.
No quem sabe um dia
Quem sabe uma vez
Quem sabe quando
Quem sabe nós.
Quem sabe...
Com um medo absurdo de entre as tantas possibilidades
Que a gente pode ser
Apenas continuarmos sendo eu e você
Como antes
Distantes
Longe daquele nosso paraíso
De volta nesse mundo real
Sem ovo
Massagens
Seu sorriso
Ou surpresas pela manhã...