sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Corrida de Rua

A vida é uma corrida que se corre na rua.
No asfalto
Com calor
Pegando chuva
Vento
Lidando com imprevistos
Passando por pessoas
Do tipo que só se vai até onde aguenta voltar.
Só continua se tiver gás pra ir além.
Bem diferente de uma vida de sonhos
Como as esteiras de academia
Em que se para quando bem quer
Sem a responsabilidade dos fatos.
A vida é um caminho que se percorre pisando no chão
Deixando pegadas
Sentindo tudo acontecer no impacto de cada passo.
E ainda que caia
Canse
Se machuque
E queira desistir
Não tem nenhum botão de “Stop” pra apertar.
Independente se é pra continuar indo pra onde vai
Ou voltar de onde veio
Você apenas pode se levantar
Respirar
Pensar no prêmio
Tirar forças sei lá de onde
E seguir até a linha de chegada...

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Caixeiro Viajante

Eu vou sair pelo mundo
Assim meio que aos poucos
E do nada entrar no primeiro ônibus
E ver pra onde ele vai me levar.
Depois vou pegando caronas
Tomando aviões
Vendo a distância cada vez mais perto
Em forma de cartões postais.
Eu quero ouvir sotaques
E idiomas irreconhecíveis
Ver novos alfabetos
Assustar-me com a quantidades de consoantes em um só nome.
Quero entrar em um orelhão
Ou seja lá o nome que aquilo for
E não saber reconhecer os números
Nem que seja pra ligar pra casa
E contar que eu morro de saudades.
Quero não ter endereço
Levar e deixar um pouquinho de mim em cada lugar.
Vou transformar minha mochila numa casa
Fazer o vento de mapa
Meu coração de bússola.
Quero revirar os quatro cantos
Descobrir se talvez exista um quinto.
Quero nadar nas praias
Passar frio na neve
Visitar aldeias
Brigar pela causa dos índios.
Quero ajudar quem precisa
Levar a paz
Entender os lados
Ser imparcial
Entre os Judeus e Palestinos.
Quero ver cidades no meio do nada
Ver as ruínas de tudo que já fomos um dia.
Ver civilizações antigas
Mais tão antigas
Que de tão caduca
Nem ela sabe bem quando começou.
Quero explorar a minha rua
Dar olá para os meus vizinhos.
Quero me vestir como turista
Ser mais local que um local.
Quer conhecer os locais clichês
As Torres
Letreiros
E relógios.
Quero ir ao desconhecido
Encantar-me com o pôr do sol de cada lugar
Achando que aquele provavelmente é o dia mais feliz da minha vida.
Quero escalar montes
Mergulhar em cavernas
Ter tantas experiências maravilhosas
E só assim
Através da falta
Valorizar quem já não tenho mais.
Quero viver na multidão
Ser mais um no meio da massa.
Quero saber o que é solidão
E ser o único
Dentro do vazio de um eco.
Quero ouvir canções variadas
Tocar o que eu gosto de ouvir.
Quero fazer amizades de toda uma vida
Em festas alucinantes
E depois
Acordar de porres inesquecíveis
Sem lembrar o nome do amigo
E muito menos do lugar onde estou...
Vou participar de banquetes
Provar comidas exóticas
Saciar-me com os doces mais apetitosos
E no final de tudo
Implorar pelo o arroz e feijão de casa.
Quero esbarrar com a diferença
Valorizar a semelhança
Dar conselhos para quem eu já fui um dia
E entender
Na sabedoria de um banco praça
Tudo o que ainda posso ser.
Quero ouvir histórias
Conhecer pessoas
Viver intensamente todos os lugares
Revirar o mundo em busca de mim mesmo
E depois voltar
Comigo debaixo do braço
Tendo a certeza
Que aqui
Mesmo eu saindo a procura de tudo
Foi onde eu sempre quis estar...

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Saudades da Falta

A saudade pode até mesmo ser diferente da falta
Mas em você
Eu sinto tudo e um pouco mais...
Sinto saudades quando escuto uma música
Sinto falta de você cantando comigo.
Sinto saudades de ouvir a sua voz
Sinto falta do “Boa Noite” ao telefone.
Sinto saudades de sentir você por perto
Sinto falta do seu abraço apertando forte.
Sinto saudades das nossas longas conversas
Sinto falta de você fazendo tudo ficar bem.
Sinto saudades das tardes sem fazer nada
Sinto sua falta nos dias de chuva.
Sinto saudades das declarações de amor
Sinto falta das suas palavras.
Sinto saudades da paz que você me dava
Sinto falta de acordar e te olhar ao lado.
Sinto saudades das risadas
Sinto falta de fazer você sorrir.
Sinto saudades de amar e ser amado
Sinto falta de sentir e ser recíproco.
Sinto saudades de saber que tinha alguém
Sinto sua falta nas segundas feiras.
Sinto saudades da vida que construímos.
Sinto falta dos sonhos que não cumprimos.
Porque no final das contas
Tudo é uma coisa só
E assim
Olhando pra trás
Toda vez que sinto saudades de você
Involuntariamente
To sentindo falta mesmo
É de mim... 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Pimenta Nunca Foi Refresco

Esperança nos dias ruins.
Humildade nas épocas boas.
Porque a vida é feita de momentos
E a pessoa que chora e sorri
No fundo sempre será a mesma
O que muda são apenas os acontecimentos.
E contra esses não existe receita
Nem segredo
A não ser
Positividade na hora de encará-los.
Por isso
É necessário atenção quando se está no topo.
Tudo volta...
E volta mais forte.
Normalmente
Na roda gigante da vida
Aquele que mais sente as cuspidas quando está embaixo
Foi quem mais cuspiu
Quando esteve por cima...

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Vento

Eu só quero que o vento vente
E que ventando
Traga bons ventos
Que te levem embora.
E eu só quero que o vento sopre
E que soprando
Retornem os bons ventos
E te tragam de volta.
Porque eu só quero
Que o vento cumpra o papel de vento
E vente
O mais forte que puder...
Porque se com a mesma força que você vai feliz
Ele te traz de volta
Com um sorriso enorme.
Por mim então
De hoje em diante
Eu quero mais é que vente...
E que todo dia 
Seja vendaval!

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Rodado

E quando ela me mandou
Dar uma volta
Pra ver se ela tava na esquina
Ela se esqueceu
Que é o mundo que dá voltas.
E assim
Depois de tantos giros
Quando quis muito que eu voltasse
Eu obediente
Já rodado
(e de quebra curado)
Nunca mais voltei...

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

De Orloff em Orloff

E foi daquele jeito
Na dureza
De Orloff e Orloff
Entre Kovaks e Natashas
Que eu aprendi o que era a vida.
Já corri muito por aí
Não pela saúde
Mas porque precisava andar depressa.
Segui a moda quando não era moda
Fui brega
Quando tive de ser
Porque achava que tava na moda.
Tive ideais
E ideologias
Que defendi com unhas e dentes
Mesmo que fosse só pra mim.
Já falei errado
Mas fui atrás do que era certo.
Quase me matei diversas vezes
Por hábitos que ninguém me disse que não podia ter.
Não nasci tendo noção do que era correto
Ou não
Mas entre os extremos
No equílibrio
Do 0,08
E 80000
Eu me encontrei.
Já torci contra
Quando tinha que ser a favor.
Já me senti sozinho
No meio de tanta gente.
Magoei sem querer
Quem não merecia.
Mas sempre dei um jeito de voltar atrás...
Porque mesmo sem ter
Ou ser nada de importante
Eu ainda assim
Procurei fazer o melhor...
Nunca fui exemplo
Nunca tive "modos"
Não tenho educação
Nasci tendo defeitos
Mas também um grande coração
Uma bela vontade
E muita atitude...
E aceite que isso
Nem dinheiro
Sobrenome importante
Cursos de etiquetas
Ou aquele seu ridículo Camaro amarelo
Vão ser capazes de te dar...