segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Dúvida de Uns, Certeza de Outros


Tem sonho que é tão real
Que quando a gente acorda
Fica até em dúvida
Se não aconteceu de verdade.
Tem abraço que é tão apertado
Que quando a gente abraça
Fica até na dúvida
Se não vai sufocar.
Tem desejo que é tão distante
Que quando a gente deseja
Fica até na dúvida
Se um dia realmente vai acontecer.
Tem lembrança que é tão marcante
Que quando a gente lembra
Fica até na dúvida
Se não acabou de acontecer.
Tem amor que é tão intenso
Que quando acontece
A gente até fica na dúvida
Se merece tanto.
Mas tem saudade que é tão dolorosa
Que quanto mais o tempo passa
Mais a gente tem a certeza
De que assim...
Tão longe...
Nem dá pra viver...

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Soneto do Não Fode Nem Sai de Cima


Que mania essa de permanecer ao lado.
Não quero ser amigo
Nem ao menos conhecido
Prefiro ser passado.

Desculpe, mas estou um pouco cansado.
Sou do tipo antigo
Que precisa de um “conta comigo”
Ou qualquer outro cuidado.

Segue seu caminho e me solta.
Esquece meu número, meu nome
E assume que não quer.

Porque se tem algo que quero te dizer é: Some!
E pode ir pra onde quiser.
Mas só não volta...

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Sorte Grande


O que nós faz melhor: O que sentimos ou o que somos?
Desde que me entendo por gente quando se fala sucesso, bem sucedido ou qualquer outra variação da mesma, vem a palavra trabalho, batalha, alguma história de superação ou uma jornada de trabalho de 16 horas diárias. Sim, trabalho é bom. Lutar é fundamental, mas e a sorte? Por que ninguém fala simplesmente: “Trabalhei muito, mas tive sorte”.
Pra mim a sorte, acaso, destino, sincronicidade ou qualquer outra vertente disso é fundamental para ser quem somos.
Sempre cresci ouvindo e admirando histórias de pessoas que conseguiram crescer na vida no meio de adversidades. Órfãos que moravam em favelas e que através do estudo viraram Juízes. Ex-presidiários que através de treinos diários acabaram por se tornar grandes atletas. Pessoas criadas no interior sem luz elétrica em casa, que viraram grandes empresários e por aí vai. Eu acredito que todos esses casos tenham vindo devido ao trabalho, a um grande esforço... Mas e se não tivessem sorte?
A sorte ,ou o que cada um quiser chamar, é um conjunto de probabilidades, possibilidades e incertezas que determinam desde o seu nascimento, o que você pode ou não.
O sucesso na vida de alguém, antes do trabalho vem desde o nível social que a família tem, a educação que foi dada em casa, aptidões, lugar onde nasceu, amizades que fez, pessoas que conheceu, oportunidades que tiveram, descobertas, genética, aparência física, conselhos que ouviu, viagens que pode fazer, namoros, e momentos quase imperceptíveis que fazem toda diferença, e a partir daí, quem sabe... Enfim trabalhar.
A concepção de trabalho e esforço é relativo.  O trabalho também depende de vários outros fatores como por exemplo o limite de cada um.
Imagine que a capacidade de cada um de ir mais e mais é como um músculo. Alguns conseguem mais que outros, mas ambos em algum momento chegam ao seu limite mesmo que com tempos diferentes e com resultados diferentes. Logo, até a sua capacidade de trabalhar mais que alguém, também depende da sorte de ter por assim dizer, uma maior elasticidade nos seus músculos, aguentando mais pressão, tendo um cansaço no intelecto menor, melhor capacidade de foco, etc.
E no que depende do físico? O treino, o trabalho duro  e a disciplina são importantes sim para um bom desempenho de um atleta, mas e os fatores genéticos que deixaram aquela pessoa ser ao menos competitiva? Será que qualquer um é capaz de treinar, treinar, treinar e ser o melhor? Obviamente não. Qualquer um pode trabalhar duro e virar uma modelo internacional? E quantas meninas que são lindas, porém nunca deram a sorte de serem descobertas por ninguém? 
Acho que além de tudo, além do trabalho duro ou de qualquer outro tipo de esforço, fatores muito mais enigmáticos são os grandes responsáveis para ser quem somos e talvez por isso eu nunca  irei entender , como uma pessoa pode ainda ter a coragem de se achar melhor que outra, já que tudo que ela tem, de uma maneira ou outra, veio por causa da sorte.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Pavões


Sempre gostei muito do livro de George Orwell chamado a Revolução dos Bichos porque acho que ele, apesar de ser uma história de ficção sobre animais, diz muito sobre nossa sociedade.
Esses dias andei me lembrando de como eu era fascinado por política quando era criança. Adorava os jingles das campanhas, acompanhava a propaganda na TV, sabia todas as legendas, até santinho eu colecionava, mas com o passar do tempo fui me desinteressando cada vez mais.
Eu nunca mais parei pra pensar nesse fato, mas esses dias cheguei a conclusão que o interesse pela política acabou no exato momento em que minha inocência se foi.
Depois de tantas esperanças vindas de apertos de mãos, ilusões com nomes e sorrisos que pareciam brilhar e, consequentemente, desilusões vindas dessa merda toda, eu simplesmente fiz a pior coisa que poderia fazer... Deixei de acreditar.
Confesso que eu até invejo quem ainda acredita, tem esperanças e luta por seus candidatos sem ganhar nada em troca. Apoiam apenas por acreditar em ideias, por achar que o candidato é diferente, é bem preparado para fazer a diferença e passam isso a frente, se tornam cabos eleitorais não remunerados, como acontece agora no Rio de Janeiro pela candidatura do Freixo.
Eu admiro, mas não acredito. Como não acreditei na Marina, no Gabeira, no Papai Noel e no Pinóquio.  Não sei se eu sou duro demais em perder a esperança assim, mas confesso que eu torço muito para alguém chegar um dia e me provar que eu estou errado e as coisas sim podem ser diferentes.  Mas talvez ainda pior do que perder a esperança sejam certas pessoas que fazem alianças, ou apoiam candidatos mais que sujos em troca de cargos e benefícios próprios. Como alguém pode ser tão egoísta a ponto de prejudicar toda uma nação, apenas para ganhar algo em troca? Como nomes como o da família Garotinho, Maluf, Sarney e Collor podem ainda existir na política brasileira? Eu estou errado de não acreditar?
Enfim...
Essa situação me lembra muito a euforia existente pelo PT antes de 2002. Época em que era comum ver jovens estudantes com blusas, broches do partido, comprando realmente a ideologia que com o PT no poder, iriam mudar o país. E aí, assim como a Revolução dos Bichos, o PT chegou ao poder e o que se viu? As mesmas coisas boas de sempre e os mesmos escândalos de sempre...  Eu estou errado em deixar de acreditar? Será que todo mundo que acreditava no PT simplesmente desacreditou como eu ou continuam apostando em novos candidatos. Vai saber.
Eu não sei o que acontece, eu não sei se o candidato já aqui fora faz essa de bom moço, só mostra suas qualidades como um grande pavão enfeitado ou se ele realmente é honesto com seus ideais, mas de uma maneira ou outra, talvez por impossibilidade de ação ou falta de recursos, é engolido pelo sistema e de Salvador da Pátria (Viva Sasa Mutema), se torna mais um da corja.
Historicamente isso é comprovado. Quantos no governo de hoje não lutaram contra a ditadura em prol de liberdade e condições melhores, mas hoje são criticados por outros que também lutam contra os que estão no governo. Quantos não foram Líderes Estudantis e hoje fazem parte dos que não ajudam na educação e são criticados por uma turma que quer melhorias? A máquina não para!
Por isso gosto tanto da Revolução dos Bichos como uma maneira de ver o jogo de poder da nossa sociedade: A parte desfavorecida, mesmo sendo maioria, não satisfeita, se organiza entre si e decide tomar o poder com um de seus representantes que promete continuar sempre sendo fiel aos interesses da maioria. Continuar sendo um deles. A maioria acredita, luta, briga, vota e elege o representante. E quando o mesmo enfim chega ao poder, ele percebe que esse lance da maioria, não tá com nada e que existem coisas maiores (e mais lucrativas) para se preocupar. E eu pergunto: Eu estou errado de deixar de acreditar?

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Simples Assim

E pra ser herói
Nem precisa ter superpoderes
Ser mascarado
Ou usar capa.
Só precisa ter compaixão e coragem
Que de uma maneira ou outra
Vai lutar pra salvar o mundo.
E pra ser inesquecível
Nem precisa durar pra sempre
Ter uma estátua
Ou deixar um legado para o mundo.
Só precisa criar lembranças suficientes
Para arrancar sorrisos quando forem lembradas.
E pra ser fantástico
Nem precisa ser grandioso
Ter viajado o mundo
Ou ser o melhor em alguma coisa.
Só é preciso ter a mente aberta
E ser criativo o suficiente
Para lidar com os problemas da vida
Da melhor maneira possível.
E pra viver em paz
Nem precisa morar em uma calmaria
Ter uma vida perfeita
Nem nunca fazer nada errado.
É só ter a consciência tranquila
Orgulho das escolhas
E assim
Nem o caos incomodará.
Mas pra ser palhaço
É mais fácil ainda.
Nem precisa usar maquiagem
Peruca
Ou nariz
É só ter o azar de te conhecer
Que o resto
Você faz...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Bobo é Quem Não Aprende

E com o passar do tempo
Eu aprendi a não prometer nada que eu não poderia cumprir.
Tem coisa pior do que enganar alguém com algo
Que eu sei que nunca irá se realizar?
E com o passar do tempo
Eu aprendi a não dizer coisas que não são verdadeiras.
Tem coisa pior do que me olhar no espelho
Depois de trair a confiança de alguém que admiro?
E com o passar do tempo
Eu aprendi a pedi perdão pelos erros que cometi.
Tem coisa pior do que passar uma vida longe de alguém importante
Simplesmente porque sou orgulhoso demais para me desculpar?
E com o passar do tempo
Eu aprendi a ser o mais verdadeiro possível.
Tem coisa pior que encantar alguém  que me interessa
Com qualidades que eu sei que não tenho?
E com o passar do tempo
Eu aprendi a ser mais claro.
Tem coisa pior do que criar sentimentos em alguém
Que não serão recíprocos
Só porque eu causei um mal entendido?
E com o passar do tempo
Eu aprendi a tomar cuidado com o jeito que eu lido com as pessoas.
Tudo um dia volta.
E tem coisa mais suja do que fazer com alguém
Algo que eu não quero que façam comigo?