O que nós faz melhor: O que sentimos ou o que somos?
Desde que me entendo por gente quando se fala sucesso, bem sucedido ou
qualquer outra variação da mesma, vem a palavra trabalho, batalha, alguma
história de superação ou uma jornada de trabalho de 16 horas diárias. Sim,
trabalho é bom. Lutar é fundamental, mas e a sorte? Por que ninguém fala
simplesmente: “Trabalhei muito, mas tive sorte”.
Pra mim a sorte, acaso, destino, sincronicidade ou qualquer outra vertente
disso é fundamental para ser quem somos.
Sempre cresci ouvindo e admirando histórias de pessoas que conseguiram
crescer na vida no meio de adversidades. Órfãos que moravam em favelas e que através do estudo viraram Juízes. Ex-presidiários que através de treinos
diários acabaram por se tornar grandes atletas. Pessoas criadas no interior sem
luz elétrica em casa, que viraram grandes empresários e por aí vai. Eu acredito
que todos esses casos tenham vindo devido ao trabalho, a um grande esforço...
Mas e se não tivessem sorte?
A sorte ,ou o que cada um quiser chamar, é um conjunto de probabilidades, possibilidades
e incertezas que determinam desde o seu nascimento, o que você pode ou não.
O sucesso na vida de alguém, antes do trabalho vem desde o nível social
que a família tem, a educação que foi dada em casa, aptidões, lugar onde nasceu,
amizades que fez, pessoas que conheceu, oportunidades que tiveram, descobertas,
genética, aparência física, conselhos que ouviu, viagens que pode fazer,
namoros, e momentos quase imperceptíveis que fazem toda diferença, e a partir daí, quem sabe... Enfim trabalhar.
A concepção de trabalho e esforço é relativo. O trabalho também depende de vários outros
fatores como por exemplo o limite de cada um.
Imagine que a capacidade de cada um de ir mais e mais é como um músculo. Alguns
conseguem mais que outros, mas ambos em algum momento chegam ao seu limite
mesmo que com tempos diferentes e com resultados diferentes. Logo, até a sua
capacidade de trabalhar mais que alguém, também depende da sorte de ter por
assim dizer, uma maior elasticidade nos seus músculos, aguentando mais pressão,
tendo um cansaço no intelecto menor, melhor capacidade de foco, etc.
E no que depende do físico? O treino, o trabalho duro e a disciplina são importantes sim para um bom
desempenho de um atleta, mas e os fatores genéticos que deixaram aquela pessoa
ser ao menos competitiva? Será que qualquer um é capaz de treinar, treinar,
treinar e ser o melhor? Obviamente não. Qualquer um pode trabalhar duro e virar
uma modelo internacional? E quantas meninas que são lindas, porém nunca deram a
sorte de serem descobertas por ninguém?
Acho que além de tudo, além do trabalho duro ou de qualquer outro tipo de
esforço, fatores muito mais enigmáticos são os grandes responsáveis para ser
quem somos e talvez por isso eu nunca irei entender , como uma pessoa pode ainda ter
a coragem de se achar melhor que outra, já que tudo que ela tem, de uma maneira
ou outra, veio por causa da sorte.