quarta-feira, 13 de outubro de 2010

CC

Alguns que vêem isso aqui, talvez a grande maioria, me conhecem bem. Pode ser que ninguém leia também, então... Apenas falarei...
Eu sempre tive a fama, talvez injusta, talvez não, de nunca terminar o que começava. Talvez isso tenha vindo de minha herança genética, talvez tenha sido preguiça ou a falta de vontade mesmo, vai saber. Mas era certo eu começar algo, uma idéia absurda qualquer e pegar pesado naquilo, investir e depois de um tempo, por qualquer motivo ou normalmente por qualquer dificuldade que aparecia eu desistia e logo ia atrás de uma nova “moda”. Meio triste? Sei lá... Minha vida... Talvez seja como a fábula do Príncipe que nunca estava satisfeito e queria sempre mais, vai saber...
Isso tá soando como um diário, mas como eu acho que praticamente ninguém lê, e juro que acredito nisso mesmo, sem fazer tipo, por mais que eu divulgue... Enfim, seguindo...
Aí, um dia mais exato um dia qualquer de 2007 nesses de ócio eu estava querendo inventar uma nova “moda”. Resolvi escrever e como sempre me empolguei, aí que meu amigo Diego que agora está lá na terra dos nossos colonizadores fazendo muita falta pra mim, criou o Copo de Cachaça e disse que atualizaríamos sempre. Pobre de mim, em descobrir que o Diego era pior que eu, e já no primeiro texto dele, nunca quis saber mais do blog. Mas ficou aí, o nome junto com a saudade que sinto desse filho da puta que vale ressaltar me ensinou a andar de Skate também.
Seguindo a teoria de todos, o blog nesse início não resistiu a alguns 10 textos ou menos, e estendendo a mais uns 2 1 anos. Finalmente estavam todos certos, eu realmente não terminava nada que começava.
Ele ficou lá, por dois anos parado quase como água que dá dengue, poderia até soar como poético essa pausa, de que uma boa cachaça estaria lá para ficar pura, essas coisas... Mas não. Não era escrito, porque eu tinha muitas coisas na minha cabeça de como deveria ser, muitas regras de quem deveria ler, entre outras coisas.
Até que em 2009 tudo voltou a mudar. E comecei novamente, escrever por escrever sem pensar em um fim e assim foi. Tive períodos afastados até porque para fazer tipinho de artista né, essa coisa de inspiração e tudo mais.
Mas nesse tempo pra cá, eu escrevi um pouco de tudo, fugindo dos padrões ditados por mim que sempre me boicotaram, pois se não conseguia manter aquilo eu parava e deixava sem concluir tudo que poderia ser feito.
E sendo assim, eu aprendi que se algo não dá agora, a gente deixa pra depois e fui escrevendo sobre tudo um pouco. Escrevi o que senti, escrevi sobre o sentimento mais sincero, sobre a mentira mais sincera também, falei de pessoas que não existiram, e outras para as quais eu não existi, escrevi sobre o que sou e sobre o que são, escrevi o que sentiram, escrevi o que nunca senti, escrevi sobre meus medos, sonhos, histórias dos outros, pensamentos, sobre minha visão controversa, piadas, escrevi sobre a vida... E ultimamente do quanto infeliz ela parece ser... Mesmo que na verdade nem seja, faz parte...
E não fiz sozinho, nisso tiveram pessoas importantes que sem elas talvez não conseguisse, como as pessoas que já não estão mais por aqui, e eu nem sei mais por onde estão, pessoas como o Adrian que entraram no meio do caminho e contribuíram com a sua visão e seu comentários ou a Nina, a leitora de todos os textos (forçada por mim) mas que sempre deixou o comentário dizendo sobre o que pensa, ou me incentivando a escrever, pois eu sabia que pelo menos uma pessoa lia ou a Paulinha que já cansou de revisar meus textos cheios de erros (odeio revisar) e indicando a visão jornalística dos fatos.
Enfim, foi com a ajuda de muita gente em muitos sentidos, até os que me deram motivos para escrever sobre, que chego ao post de número 200 com a sensação diferente, com a sensação de que dessa vez, as coisas realmente não precisam ter um fim pré estabelecido para eu me sentir produtivo. E sei que nesses 200 muita merda já foi dita, muita mentira, muita ficção e muita coisa verdadeira também que muitos se identificaram, usaram, refletiram e aprenderam ou odiaram, criticaram e até desaprenderam. Tudo foi válido
E pra encerrar sei também que quem está lendo deve achar isso nada demais, mas pra mim que nunca consegui terminar nada e por um fio não parei no post 10 é sim, coisa pra caralho... Obrigado a todos sem exceção

domingo, 10 de outubro de 2010

Trocando em Miúdos

Sérgio Maciel sempre foi um amante de música. Paixão que herdará de seu pai que foi um músico bem renomado de uma orquestra carioca.
Com a vida bem encaminhada, tinha um emprego instável e um relacionamento com Sabrina Antunes, moça que conheceu em sua adolescência e que morava junto há pouco de 1 mês na casa dela.
Sua vida estava dentro da normalidade, era uma pessoa vista como comum na sociedade, que gostava de coisas como praia, um bom restaurante, um filme de bom gosto e tudo mais. Só que, como muitos outros “normais” por aí, tinha uma obsessão.
Sérgio era muito fã de Chico Buarque e de uma música em especial: Trocando em Miúdos. Desde pequeno com influência do seu pai ouvia essa música e exaltava sua poesia, e até aí tudo bem, a não ser a vontade que tinha dela, por sua poesia, ser a trilha sonora de sua vida.
Feliz em seu relacionamento Sérgio começou a aparecer com pequenas coisas estranhas em casa.
Primeiro chega para a Sabrina com uma fita do senhor do Bonfim e um disco do Pixinguinha e diz:
- Olha o que comprei na feira
- Ué Sérgio, você nunca gostou dessas coisas da Bahia e muito menos de Pixinguinha
-Ah... Era barato e resolvi comprar...
- Estranho... Disse Sabrina sem se importar
A Rotina de uma mudança de comportamento de Sérgio foi se dando, e um ato de consumismo no mínimo no sense foi tomado por ele que até então era visto como pão duro. Ele passou a aparecer com uma quantidade de itens desnecessários como uma caixa para eles irem guardando as lembranças e lençóis novos que segundo ele demonstrariam o amor que sentiam um pelo outro.
E novamente Sabrina questionou:
- E lençol prova amor Sérgio?
- Provar não prova, mas nossas marcas ficarão neles pra sempre... Pra eternidade...
E Sabrina mesmo sem concordar não criou caso, porque no mesmo dia Sérgio chegou com uma aliança linda, totalmente de ouro, que segundo ele iria selar ainda mais o relacionamento.
E para dar totalmente o fim de sua desconfiança sobre Sérgio, o antes pão duro passou a dividir o Aluguel da casa que eles moravam. Além disso, Sérgio que odiava emprestar suas coisas deixou um livro que ele tanto gostava de Pablo Neruda, a convenceu que era bom e a emprestou.
Tudo estava perfeito, as mudança de Sérgio foram maravilhosas para Sabrina, até que um dia, sem mais nem menos... Mesmo a amando muito, Sérgio acabou com tudo. Assim mesmo do nada, sem deixar a chance nem de Sabrina entender o que acontecia, ou argumentar, ele foi pegando o que era dele e deixando o que era dela. E como quem já parecia ter tudo programado, deixou a fita do senhor do Bonfim que não lhe serviu, mas levando o disco do Pixinguinha. Disse que Sabrina poderia fazer o que quisesse com a Aliança da seguinte forma:
-Olha, a Aliança você pode empenhar ou derreter
-Mas Sérgio, eu não quero. Ela argumentava
-Não vou chorar na sua frente ele dizia, e tem mais... Aceite a ajuda do seu novo namorado pro aluguel e devolve meu Neruda já que você nunca leu...
E assim, Sérgio se foi... Levando apenas a identidade no bolso, fechando o portão sem que ninguém percebesse, já sentindo muito saudade, mas achando que já estava indo tarde mas que agora Trocando em Miúdos era enfim a música dele.

Obs: Para facilitar o entendimento da história, ajuda ouvir Trocando em Miúdos do Chico Buarque.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O Dia do Fico

Minhas palavras têm andando triste
Mas isso condiz com minha realidade?
Será que eu vivo o que escrevo?
Ou transformo o que conto em verdade?
Ando banalizando o sofrimento
Para os 4 cantos do mundo as tristezas eu conto
Mas qualquer um sabe que dor de verdade
É aquela que se sente sozinha no canto
Que é dita sem palavras
Qualquer um pode ver só de olhar
Aquela que nem se fala ou se insinua
Aquela que de longe se pode exalar
Por isso não quero ser mais um
Que fala que está infeliz só pra comover
Uma tristeza que se preze
Ninguém deve saber
Por isso, sofra sozinho
Como se um mundo fosse acabar
Olha na janela, se ele ainda não acabou
Sozinho,você volta a chorar
Assim um dia a tristeza não vai aparecer mais
Mas que ninguém, dela eu sei...
Pois aprendi que tanto faz se ela se foi
Mas sim perceber que eu fiquei...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Máquina

Tem foto sua na máquina
Da até dó apagar
Se fosse antes, sei lá
Queimava, jogava no fogo
Mas os tempos...
São outros...
Infelizmente, já não tem mais negativo guardado por precaução
Nem tem como apenas esquecer de ir buscar a revelação
Tem foto sua na máquina
Só pra provar que um dia fui feliz
Mas que agora eu vivo na espera
Bem feito, naquela época eu nunca enxergava que era
Que saudade que sinto dos dias em que já tive um colo
Mesmo depois de tanto tempo, de pensar nisso eu ainda choro
Como quando vejo coisas que me lembram você
Cá entre nós... Tanta história é difícil esquecer
Tem foto sua na máquina
Sei lá porque ainda tem
Talvez seja pra me punir, ou alertar...
Talvez seja a esperança de você ainda vir voltar
E fingir que esse tempo não aconteceu
Pegar a sua foto e falar que não esqueceu
Que se um dia foi, por que não pode mais ser?
Eu ainda to aqui... Cadê você?
Tem foto sua na máquina
E assim vou ter que me contentar
Tem foto sua na máquina
Quando você vai vir buscar?
Tem foto sua na máquina
Ela tá comigo, tá guardada
Tem foto sua na máquina
Doida pra ser revelada
Tem foto sua na máquina
Pra colocar no nosso álbum
Tem foto sua na máquina
No pequeno espaço que foi deixado
Tem foto sua na máquina
Apareça quando der
Tem foto sua na máquina
Mas só busque se quiser...
Tem foto sua na máquina
Que me mata de ver
Tem foto sua na máquina
Só me diz o que fazer...
Tem foto sua na máquina
Tem foto sua na máquina
Tem foto sua na máquina...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O Arroz que queria ser risoto

Era uma vez um arroz
que tinha o sonho de ser risoto
Podia ter o que for dentro dele
Que nunca agradaria seu gosto
Sendo o que era, ele nunca estaria satisfeito
Pra ele, só um risoto era perfeito
Por isso pediu para que nele colocassem uma cor
Então um corante vermelho lhe deu sabor
Mesmo com salsinha, milho, molho e presunto se achou sem graça
Colocou mais o queijo parmesão, cenoura, cebola e um pouco de passas.
Ficou melhor quando colocaram tempero a vontade
Mas apesar de tudo, não se sentia um risoto de verdade
Faltava algo ele dizia
E para não faltar mais, exigiu proteína
Frango,camarão, peixe e carne ele pediu
Queria ser o melhor e maior risoto que já existiu
Colocaram como pedido e um super risoto ele passou a ser
Enfim hora da verdade, a hora que todos iam comer
No meio de tanta coisa, ele acabou sendo deixado de lado
Todo mundo comeu tudo, menos o “tal risoto” com o cheiro enjoado
E assim acabou-se a toda a ganância do arroz sendo jogada no lixo
E se alguém chegou a provar tudo aquilo, foram só os bichos...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Noite "muda" que muda

Em uma noite “muda”
É que tudo muda
Que diferença fazia você estar?

Só a presença não adiantava
Tinha que aparecer
Isso sempre me fez pensar:

“Mas e quando você realmente se for
Quem vai terminar o que ainda tá por fazer?”

Nunca tive a resposta de ninguém
Os acontecimentos da vida que quiseram dizer

Através das coincidências soltas
Como um encontro infeliz
Ou uma mudança repentina

Aprendi que não se morre por nada
Nem se vive por ninguém
Com aprendizado que se faz a vida

Aprendo e aprendi
Com a noite “muda” que fez
Que para cada “não” que a gente ganha
A vida sempre manda um talvez

Que faz tudo recomeçar
Transformando a existência nesse eterno romance

E acredite que mesmo assim, outro “não” ainda vai aparecer
E daí? A vida sempre dá uma segunda chance...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Primavera que Volta

A primavera chegou
Já atrasada
Com o frio típico de um inverno que não faz mais
Será que é o tempo que muda
Ou minha percepção que fica diferente?
Vai saber...
Músicas antigas tocam mas não me dizem mais do que deveriam
São só músicas
Não me lembram nada demais
E se me lembro de algo
Apenas lembro
Como um filme que passa
E que vi
Sem importar onde e com quem...
A primavera que anteriormente que tirou o meu melhor
Agora me recompensa
Com algo que já não tinha
Traz a esperança
Animada como deve ser
Renovada do jeito que é
Provando que a vida é realmente um ciclo
Que se perde
Mas se ganha
Pois para todo mundo que vai
Outras vem
E até algumas ficam
Que assim seja!
Pois dessa primavera ainda fria em diante
Os que chegarem serão bem vindos
Os que ficarem serão valorizados
E os que se foram...
Obrigado por tudo...
Mas só quero que fique quem quer ficar!