quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Coitada

Se eu não vou para onde você foi
Não quer dizer que eu seja pior
Se eu não tenho os mesmos valores que você
Não quer dizer que você seja melhor

Se eu gosto de dinheiro
Não quer dizer eu que seja ruim
Se você não gosta dele
Dá o seu todo pra mim

Digo que a vida pra mim não é bela
Isso eu posso assumir
Pelo menos eu sigo em frete
Você não vai me ver desistir

E mudar de idéia como quem muda de roupa
Uma hora querer e depois não querer mais
Tudo que busca é fugir de você
Só assim, acha que terá paz

E pisando em todo mundo
Só importando suas vontades
No fundo nem gosta de ninguém
Vive aventuras só por vaidade

E faz com quem não merece
Nem estou me fazendo de coitado
Mas você sabe que errou
Eu não merecia ser enganado

Depois de tudo que fui
Tudo que não merecia era uma ferida
Se você no fundo não queria nada
Me deixava quieto na minha vida

Não me levava pra sua vazia
Procurando motivos para continuar
Ainda diz que eu sou incostante
Quem é você pra me julgar?

Quem é você pra me dar conselho
Sobre procurar a felicidade?
Ta com um cara que no fundo não gosta
Porque ele te dá comodidade

E não sei porque ainda me importo
Já que eu nunca fui assim
Quer saber então a verdade?
Foda-se o que você pensa de mim

Almost´s King

Mesmo tendo nascido no dia do “mais ou menos”
Certas coisas gosto bem feitas
Até demais...
Esse talvez seja um problema
De por qualquer besteira que aconteça
Pra mim parece sempre que é mais

Acho que é pessoal
Que eu fui errado
E falhei
Mesmo sem ter feito nada
Sem ter sido o culpado
Penso logo que errei

Porque sempre que chego perto
Acho que conseguirei
Mas na realidade, não consigo não
Quem sabe essa é minha sina
De nunca conseguir as coisas
E estar andando na contramão

Como um Step
Sentindo-me a segunda opção de fruta
Em uma compra feita na feira
Às vezes me animo
Vendo por um lado positivo
Que ser a segunda é melhor que ser a terceira

Mas coisas só mudam de figura
Elas vem acontecendo
E por mais que o tempo passe
Acho que nunca saberei
Se eu que me cobro demais
Ou realmente sou o Rei do Quase

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O filho perdido

Raimundo dos Santos. Está aí um brasileiro legítimo! Batalhador; desde novo foi obrigado a trabalhar e ajudar a família em casa. Mais uma história típica, dentre tantas do nosso Nordeste Brasileiro.
Não tinha muita coisa, mas considerava seu nome e sua palavra dois dos maiores bens que poderia possuir, por isso fazia de tudo para não desonrá-los, fato esse que muita gente aproveitava. Devido a sua inocência e certa fixação pelo seu nome e palavra, pessoas se aproveitavam para tirar coisas no nome de Raimundo e não pagar, sabendo que o mesmo pagaria para não ter seu nome sujo, ou até mesmo lhe pedindo coisas difíceis, em momentos que Raimundo não saberia dizer não.
Foi em um desses momentos que Adalberto, um senhor bem velho, vizinho de anos de Raimundo, já na sua cama em fase terminal, pediu que chamasse Raimundo, e o mesmo o foi, com a mesma boa vontade de todos aqueles anos. Ele foi e escutou o que Adalberto tinha pra dizer. Segurando uma carta em sua mão, ele disse:
- Raimundo... Há tempos atrás eu e Maria, que Deus a tenha, entregamos um jovem menino para uma família rica de São Paulo. Ela já se foi, agora eu to indo... E não queria ir assim, sem contar para ele, porque nós fizemos isso... E não confio em mais ninguém para isso, você entrega isso pra ele?
E Raimundo ainda meio atordoado pergunta:
-Eu, seu Adalberto?
-Sim, você Raimundo... Não confiaria isso a mais ninguém, você me promete?
E Raimundo sem saber o que fazer nem como o fazer, enfia uma faca em si mesmo e diz:
-Sim, eu prometo.
Como em um filme ou final de novela da Globo, Adalberto sorri, vira para o lado e ali obtém a paz eterna...
Raimundo ficou durante alguns minutos estático, pensando no que acabara de lhe acontecer, até que olha para Adalberto, vai para a casa e perante sua mulher e seus dois filhos, diz:
- To indo pra São Paulo.
Assustada, sua mulher diz:
-Tá maluco, homi? Vai fazer o que lá? Endoidou, foi?
Sabendo que não poderia falar a verdade, pois ela não o apoiaria, ele disse:
-Quero dar uma vida melhor pra você.
E do mesmo jeito que entrou, saiu com sua mochila rumo à rodoviária, saindo do Nordeste para a grande capital, deixando o trabalho do campo pelo sonho de uma vida melhor. Era isso o que ele dizia para todos.
Chegando a São Paulo, com fome e pouco dinheiro, ele sabia que não seria fácil a sua missão, já que ele só tinha um nome: Dalton. Esse era o nome do menino que agora já teria mais que sua idade e até conseguir essa façanha, teria que se sustentar e ainda mandar um pouco de dinheiro para casa.
Finalmente, depois de dias dormindo ao relento e se alimentando de restos, ele encontra um emprego em um restaurante no qual ele trabalharia com a limpeza e carregamento de materiais, descarregando caminhão e coisas do tipo. Tudo estava indo bem, ele tinha conseguido alugar um quartinho barato em uma pensão, comia algumas coisas no restaurante e tinha tido grandes avanços na procura de Dalton, o filho perdido de Adalberto, porém tinha um problema: seu patrão, o senhor Silveira...
Era insuportável. Sempre que podia, ele gritava com Raimundo, chamando-o de ‘nordestino’ (mesmo tendo alguns traços também) e sempre que podia o ameaçava e a todos os funcionários de qualquer maneira. Uma pessoa totalmente insuportável, que ele e todos os outros eram obrigados a aceitar assim mesmo.
A humilhação sofrida era demais, apelidos pejorativos, brincadeiras desnecessárias entre outras coisas eram constantes. Raimundo só aceitava aquilo porque estava perto, e como um detetive uma espécie de Macgayver dos novos tempos, ele conhece o endereço de Dalton e assim que sai do trabalho, vai para lá cumprir sua missão.
Ele encontra o endereço, pergunta a porteiro pelo morador e o mesmo diz que Dalton ainda não chegou, então ele decide esperar. Espera por horas, mas espera feliz, sabendo que vai cumprir sua promessa, até que um carro bonito e importado vem de longe e o porteiro diz:
- Está aí, está chegando quem você procura...
Raimundo se levanta, se ajeita e espera pelo encontro, até que ainda de longe, ele vê quem é o morador... O morador é o Silveira. Dalton tinha sido adotado por pais ricos, Os Silveira, donos de inúmeras cadeias de restaurante e aquele que ele tanto procurava, era um dos que mais odiava.
Naquele momento, sem ser visto, Raimundo corre sem que o porteiro entenda nada e, meio ofegante, vai falando sozinho:
-Não pode ser, não pode ser... Não pode ser , não pode ser...
E vai para o seu quarto deitar.
No dia seguinte, logo que encontra Silveira, ou melhor, Dalton, ele decide entregar e acabar logo com aquilo, mas muda de idéia quando o mesmo o diz:
- Ta me olhando assim por que seu abestado? Vai trabalhar, porra.
Essa rotina de dizer ou não, acompanha Raimundo por dias, pois de um lado ele tinha a promessa, do outro tinha Dalton, ou Silveira, que não merecia saber de nada e provavelmente nem iria querer saber... Ele não sabia mais como agir.
Até que um dia, enquanto carregava nas costas uma caixa, acaba pisando no pé de Silveira sem querer, que diz:
-Olha por onde anda seu idiota
Nesse momento, Raimundo explode, um filme passa em sua cabeça de tudo que viveu até ali. Ele olha para Silveira, saca rapidamente a carta do bolso e diz:
-Toma aqui senhor, para limpar seu sapato...
E Segue, sem olhar para trás, sabendo que tirou um peso das costas e mesmo, que de sua maneira, a carta foi entregue, sim, a Dalton

Amores Inventados

O grande problema dos amores inventados, é que geralmente... Só um lado inventa...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O que uma noite de sonho não faz...

Achei uma foto que não devia
Nela eu ainda era feliz
Tempos que não voltam mais
Ultimamente descobri coisas que não queria
Coisas que infelizmente eu fiz
“O triste” é não poder voltar atrás

Pra mudar aquele momento
Fazer uma viagem “do nada”
Provar que era sim especial
Não viveria nesse lamento
Não teria tanta mágoa
Nem me sentiria tão mal

Queria ainda te ver
E mesmo que discreto
De longe olhar seu sorriso
Nos sonhos vejo você
Falo tudo que quero
E quanto mais falo, de mais eu preciso

Pra falar da saudade que sinto
De você se preocupando comigo
Pedindo-me pra trocar de blusa e levar um casaco também
Queria te contar que na verdade eu minto
Quando digo dos meus novos amigos
E do quanto estou bem.

Queria comentar sobre a minha saúde
Que evito tudo novamente
E dessa vez, pretendo continuar assim
Fico puto, sabendo que fiz o melhor que pude
Mas tu não sai da minha mente
E você? Ainda pensa em mim?

Não sei o que andam dizendo
Mas de você não pergunto pra ninguém
Afinal, você pode escolher a vida que quis...
Mas dos meus planos você também não ta sabendo
Já deu meu apelido pra alguém?
Finalmente você é feliz?

Se não é... Nem desiste
Lembra que ainda to aqui pra te amar
Ainda temos tempo pra viver
Tudo é triste
Que mesmo sem tempo até pra chorar
Sempre arrumo um pra pensar em você

Resolvi parar de esquecer
Pois descobrir que querer te matar dentro de mim
É quase me fazer de morto
Por isso nem ligo em te dizer
Que em cada dia que tenho acordado sem você assim
Eu to morrendo aos poucos...

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Maldade

Lazaro era um cidadão comum morador de uma periferia do Rio de Janeiro e como tantos, drobava um “bocado” para sobreviver.
Lazinho como era conhecido, muito divertido, cheio de amigos, sempre bricalhão, porém... Sem muita sorte.
Depois de ser demitido do seu último emprego como carregador, Lazinho que morava com sua mãe, padrasto, avó e dois irmãos mais novos, era quem ajudava em grande parte na conta de casa.
A situação ficou ainda mais triste para Lazinho em um dia que cortaram sua luz por falta de pagamento, ela não achava sua carteira de trabalho, a água da sua casa tinha acabado e uma briga o fez brigar com sua namorada. De saco cheio daquela situação, resolveu procurar uma ajuda do “Além”
Lazinho, na busca por respostas rápidas e certas foi procurar Mãe Calu, como era conhecida a Dona Maria do Carmo, uma mãe de Santo que tinha um terreiro em sua rua. Chegando lá ela disse:
- Lazinho, quanto tempo
- É né mãe... Tudo bem com a senhora?
- Sim meu filho, Oxalá me abençoa sempre, e você? Como está?
- Ah, mãe... Ta tudo dando tão errado, to sem sorte... Uma merda...
- Ih, meu filho... Vamos perguntar isso aos Búzios, eles não mentem
Nesse momento Mãe Kalu jogou os Búzios e disse:
- Olha meu filho... Os Búzios estão meio furiosos com você e estão dizendo que você tem que fazer um sacrifício...
-Sacrifício? Que tipo?
-Ah... Eles não dizem, mas faz uma maldadizinha boba... Que acho que vai melhorar
-Maldade Mãe?
-É... Mas nada muito grande não
Lazinho saiu do centro mais atordoado do que quando e resolveu dar uma volta para espairecer a cabeça. Decidiu ir ao centro, mas dessa vez ao centro da cidade e como não tinha dinheiro de passagem resolveu dar o velho e bom “calote” no ônibus.
Como já esperado, a maré não estava mesmo boa para Lazinho, já que o cobrador era um grande desafeto seu e ele teve que descer no ponto final bem longe de ondele esperava ir, pois só lá alguém abriu a porta traseira do ônibus. Aquele estava realmente sendo um dia bem difícil.
Enquanto andava na passarela para pegar um ônibus de volta, Lazinho pensa no que a Mãe Kalu te disse, avista um vendedor de Chumbinho que vendia seu produto na Praça da Matriz (uma praça que fica em baixo do viaduto sobre o qual ele passava) e resolve tentar, pois no momento opção melhor não tinha. Na hora em que decide tentar, Lazinho pega uma pedra que encontra no chão e taca em direção ao vendedor de Chumbinho. Ele nem espera para ver onde pega a pedra, só percebe que surge um tumulto e sai correndo em direção ao ponto.
Ainda um pouco afoito pela corrida, Lazinho percebe que sua sorte começa a mudar quando vê que agora o cobrador do ônibus que chega é seu amigo e o deixa passar. No caminho para casa, vai pensando no que fez... Mas como ele mesmo disse em voz alta:
- Já fiz ta feito. E tenta cochilar...
Ele chega em casa e percebe que sim, a sua sorte mudou... A luz assim como o problema de falta d’água tinham sido resolvidos, a sua carteira de trabalho tinha sido achada e sua namorada o estava esperando na sala para fazer as pazes. Sim, tinha tudo dado certo.
Ele quer sair para comemorar dessa vez, e pede para sua namorada aguardar um pouco enquanto ele aproveita a volta de luz e água para tomar um banho.
Enquanto está cantando e contente no chuveiro ele escuta a voz do seu amigo Thómas gritando no portão de maneira repetitiva e rápida
-Lazinho, Lazinho, Lazinho.
-Lazinho, Lazinho, Lazinho
O mesmo, preocupado sai de toalha ao encontro do amigo e diz;
- Que foi Mané?
Thomás suado e meio que gaguejando diz
-Lazinho, tacaram uma pedra na sua mãe lá na Praça da Matriz. Vem comigo, coloca uma roupa que o cara do Chumbinho viu quem foi e a gente vai pegar ele na porrada.

Medley quadrinhos e afins

Quando quero amar
Idealizo-te como a única
Que queria todo dia
Penso em você como tal
Como a perfeita
Minha Mulher Maravilha
Mas lembro de tudo
Lembro do que não é
Do que não tenho mais
E do mesmo jeito que veio
Do mesmo jeito que foi
Como um The Flash você se vai
Dominando meu sonho
Minha mente
Me vidrando em você
Como o Vingador, ou um daqueles vilões clássicos
Talvez um dos mais malvados
Não deixa eu te esquecer
E sofro
De um jeito sombrio
Que só o Batman entenderia
Logo eu?
Que mesmo sem escalar parades como o Homem Aranha
Por você, praticamente tudo faria
Mas você não me deixa
E como um Super Homem com Criptonita
Eu fico totalmente inutilizado
Será mesmo
Que era tudo pra ser assim
Ou nosso final feliz foi arrancado?
E me deixa assim
Querendo ser um Aquaman com uma roupa impermeável
Para que meu choro não a molhe
Pois quando quero te ver
Tudo é tão complicado, tudo é tão difícil
Que pra mim você está mais para Wally