terça-feira, 10 de agosto de 2010

Conselho

Minha mãe sempre dizia:
"Meu filho tenha fé"
Porque no momento certo da vida
Tudo seria o que é...

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Aniversário de uma criança surda...

Tanta coisa acontecendo
E ninguém pra ver
Até que tento, confesso
Conto para um
Pra outro
E para um novamente
Que nunca dá bola
Até me animo se escuto um
“Opa que massa”
Um “oi que bom”
E outras gírias idosas ditas por educação
Mas dura pouco
Descobri que tem muita coisa que não dá pra deixar de sentir
Como a falta de um sorriso
Uma preocupação
"Um que bom" sincero faz
Faz...
Descobri
Talvez como aquele que descobre a pólvora
Que não adianta
Tanta coisa vir
Tanta gente chegar
E tanto de tudo acontecer
Sua vida mudar
Tanto motivo pra sorrir
Nenhum motivo pra chorar
Sem ter ao menos
Alguém pra dividir
Te olhar nos olhos
Ou mesmo que de longe
Te falar
Parabéns...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Poetas

Tem muita gente que diz que é poeta
Só porque fala difícil
Adoram usar palavras complicadas
Acham que isso é ter um dom incrível

Falam de coisas que não mais se usa
E nesse erro eles persistem
O linguajar é sempre erudito
A mesóclise só pra eles existe

Gostam de ser sofisticados
Porque no fundo querem aparecer
Acham que o sentindo da poesia
É escrever e ninguém entender

Poesia é se expressar com sentimento
Procurar para a existência um sentindo
Não é escrever por escrever
Para que aquilo pareça bonito

Por isso gosto de ser claro
Não fico por aí contado “lenda”
Falo do que interessa
Quero que todo mundo me entenda

E assim eu tento ajudar
Na dor que a cada dia a gente lida
Daí prefiro ser simples
Porque de complicada já basta à vida

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Mudando e Moldando

To aprendendo com o que muda
Como as borboletas que deixam de ser o que eram
E só assim passam a ser o que são
Mudança é a liberdade!
To aprendendo com o que evolui
Com aquele que muda um hábito de anos
Se matricula na universidade "já" com 70
Mas prova que é "ainda"
Tem dificuldade
Sabe o que é necessário
Evoluir é crescer!
To aprendendo com o que renasce
Com aquele que perde tudo em uma enchente
Mas surge de dentro dos escombros mais vivo do que o que entrou
Superar é um dom.
To aprendendo com aquele que perde
Com aquele que se vê perdido sem nada deixado
Dentro de um vazio solitário
Mas ainda assim continua acreditando
Agradece ao que ficou ao invés de reclamar pelo o que foi
Assim, acaba se achando de novo
Ter fé é uma dádiva!
To aprendendo com o que erra
Com aquele fez tudo errado na vida
Como alguém que diz algo que não queria dizer
Fez menos do que podia fazer
Mas sabe reconhecer um erro
Não fica se remoendo
Apenas tenta melhorar
Reconhecer os erros é sábio!
To aprendendo com tudo que é líquido
Que se molda conforme a forma
Como um bolo que pode ser de vários jeitos
Horas se espalha
Horas se contrai
E sempre acha o melhor jeito de ser
Moldar é necessário!
To aprendendo com quem ama
Com aqueles que gostam de todos incondicionalmente
Os altruístas de natureza
Os discípulos de Cristo
Que não se abalam com simples troncos da vida
Gostam das pessoas pelo o que elas são
Mesmo fazendo o que fazem
Sabem perdoar
E seguem seguindo
Mudando e moldando
E ensinam que apesar de tudo:
Amar é viver!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Confissões

Você é minha droga
E minha reabilitação
É a minha Yoga
E minha confusão

É a verdade mais pura
A mentira que quero esquecer
A vacina que cura
A doença que faz morrer

Confusão que eu não sei
A resposta pra tudo
A alegria que um dia terei
O meu ódio do mundo

O serviço que foi feito
A barba que ficou por fazer
Um ambulatório sem leito
O altruísmo de dar sem receber

A forma que me molda
A peneira que me espalha
O laço feito com solda
A insegurança feita de palha

O motivo que eu procuro
O óbvio que me confronta
A brincadeira no escuro
A parte verdadeira do “faz de conta”

A notícia anunciada
Tudo que não foi dito
A página do livro arrancada
O diário que não foi escrito

A dor do que não passa
A esperança do “vai melhorar”
A tentativa que fracassa
O próximo que vai acertar

O oxigênio que existe
O respirar do mergulho
O silêncio que insiste
O vazio do barulho

O sorriso que me emociona
A vontade que eu tenho que sumas
Às vezes coisa pra caramba
Na maioria... Porra nenhuma

terça-feira, 27 de julho de 2010

Previsão

Na TV, na revista, até em casa
Se olhar bem, tem por todo lugar que passa
Acham um absurdo falam que é uma coisa louca
Normalmente isso é só “a outra”
A amiga do namorado, ou a própria inimiga
Se for alguém que gosta, logo dá briga
Comportada quando chega, fica apenas sorrindo
Se mostra demais, faz algo errado... "Só to me divertindo"
Se fica com comprometido nem se manca
“A outra que tinha que ter tomado conta”
A roupa tem que ser justa, mesmo que ele mostra aquele velho quilo
Se faz chuva ou frio não importa. "È tudo pelo estilo"
Caras e bocas é o que mais faz quando está dançando
Se é vulgar: “Que nada, só estou encenando”
Algo errado que aconteceu ela fica sentida
Não passa nem um tempo: "Ai, eu to arrependida"
E se vacilou ou fez alguém de bobo
Ela fala: "Nunca mais faço de novo"
Por mais que a vida dela, por erros seja marcada
Ela nunca vai assumir que está errada
É sua personalidade, ela quer se encontrar
“Se erroei demais, foi tentando acertar”
Na verdade fica estranho de aceitar aquela mulher
O engraçado é que nenhuma assume que é
E é por isso que cada vez eu acredito bem lá no fundo
Que as Piranhas minha gente, estão tomando conta do mundo...

Por que será?

Na espera do meu nome
O sobrenome é o que não falam
É...
Acho que não sou muito importante.
Mas se tiver algum outro eu?
O que irão fazer?
Eles que se fodam...
Melodias consagradas
Agora tocam em sinfonias infantis irritantes
Daquelas que se compram no camelô
E acabam mais rápido do que um amor não verdadeiro
Porque pelo menos esse é “interesseiro”.
Mas tudo bem
Pessoas chegam
Aparecem
Disputam
Sem ao menos passar o que eu passei
Um espaço que é meu
Ou deveria ser
Pelo menos um pedaço
Bem, isso é o que eu acho...
O diagnóstico previsível é aliviador
E preocupante
Pois
Até porque o previsível prega peça.
Eu que o diga...
Cada vez aparece mais gente
E nada de dizer meu nome
Nem ao mesmo sobrenome
Como pode alguém chegar primeiro
E ter que esperar quem chega depois?
Cadê essa lógica?
Sinto-me despercebido
Pelas sensações angustiantes do que tenho que fazer
Como um quadro velho
Que sempre esteve ali
E já não tem mais graça
Não faz sentido...
Sim
Penso
E descubro
É horrível esperar um favor
Ser um mero encaixe
Até porque
Você precisa
Pra você qualquer migalha é luxo
Qualquer resto serve
Mas me chamam
Parece que o quadro agora faz sentido
Agora foi percebido
Deveria eu agradecer por ser visto?
Deveria eu ficar feliz por me chamarem?
Tanto faz...
Até porque é impressionante o que nos submetemos
Atrás de uma verdade simples
Pensando bem
Ta bom...
Nada como uma consciência limpa
E uma volta feliz...