quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Malhação 2010

“O destino é cruel”, “Deus não existe”, “Eu não tenho sorte”. Quem nunca ouviu isso por ai? É muito comum pessoas se fazerem de coitadas, de vítimas e colocarem a culpa no destino, no lugar onde nasceram, na família que vivem, nos amigos que tem... Será que a porra da culpa nunca é da própria pessoa?
Analisando bem as situações e a humanidade em modo geral, vejo que o fator sorte é importante sim, mas o fator “querer” é muito mais. Quantas pessoas que nascem na favela têm tudo para ser mais um número na estatística como diz Mano Brown, mas conseguem trabalhar, estudar, constituir família e deixar toda aquela história triste para trás. Do mesmo jeito, quantos rapazes de classe média que tem de tudo na vida para serem pessoas de bem, mas não querem, preferem não buscar nada, e jogam tudo fora na vida.
Vamos passar o tempo para algo mais “Malhação”, sim essa mesmo do seriado adolescente que dura anos. Tive que usar esse exemplo porque idependente da idade, esse tipo de atitude é bem adolescente, mas voltando... Quantas pessoas não vemos sofrer no meio de intrigas, de brigas, de fofocas, mas que aceitam aquilo tudo e sempre continuam ali se fazendo de coitada, será que essa pessoa é mesmo vítima de tudo aquilo, ou ela é tudo aquilo, porém não agüenta as conseqüências? Se é tudo tão ruim e injusto? Por que continuar naquele mundo?
Quantas vezes já não nos enganamos com discursos puritanos de vítimas oprimidas que se dizem totalmente discretas, que odeia falar mal de pessoas, mas é a primeira a contar a sua vida e a de outros para todo mundo, depois dizendo... Odeio fofoca, eles não me deixam em paz... Piada né?
Por isso, sempre desconfiem bem de quem é muito bonzinho e sorridente, mas vive no meio de sujeira, pois como diria Rousseau o "homem é fruto do meio que vive", e sigo o passos de outro Russo, só que agora o Renato que diz: “Comparamos nossas vidas, e mesmo assim... Não tenho pena de ninguém”
Baseando na frase do “Sucesso a Lama”. Será que um dia esse tipo de gente terá sucesso??? Ta na hora né porque a lama... Já tem de sobra... Vai gostar de chiqueiro assim no inferno...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Mundo meu

O vazio está maior
Maior que o que foi quando era
As frases são confusas
As músicas não rotineiras
E a ficção come solta aqui
E lá...
Sim, lá também quis assim...
Futuro angustia
O passado pressiona
Cadê todo mundo?
Ando esperando demais
Ando pensando demais
Bem que eu queria ser um daqueles
Um daqueles personagens dos meus filmes prediletos
Que vivem
Que Não correm
Não lembram
Que erram
Que caem
Que fazem tudo que querem
E no fim tudo dá certo
Que saudade do barulho
Cinema mudo pra mim não rola
Confusão...
Nunca falta pra ninguém
Muito menos pra mim
Produção...
Anda faltando por ai
E aqui no meu mundo
Ta bem escasso
Alias
Ultimamente
Aqui no meu mundo falta de tudo
Desde as coisas mais complicadas
Até as mais simples de se ter...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Saco Cheio

Sim, eu sei... Eu estou ficando repetitivo. Na verdade "verdadeira" eu sei que sou repetitivo, mas cada dia que passa essa porra maldita de Lei Seca me enoja mais ainda.
O Rio está em guerra, locais na Zona Norte estão quase que em estado de calamidade pública e enquanto isso na Barra da Tijuca e Zona Sul (porque nesses locias tem ainda mais graça, pois sempre aparecem um artistas de quebra para mostrar: "Nossa essa Lei funciona mesmo") mega operações são montadas para pegar o motorista que sai embriagado, que bebeu apenas um copo ou o que tem IPVA atrasado. Tudo isso para manter viva a indústria das multas com a desculpa de respeito e preocupação com a vida do cidadão... Que respeito? Respeito é o caralho. Eles falam de números, de diminuição no número de acidentes, querem falar de números? Vamos falar de números...
Será que o trânsito mata tanto mais assim do que a violência? E em certas situações o acidente de trânsito não existe apenas pelo consumido de álcool... Já a violência sim vem única e exclusivamente dela mesmo. Por que não fazer algo contra isso, que no meu ponto de vista é muito mais tángivel e eficaz.
Digo isso tudo porque acho um absurdo alguém ser parado em um mega blitz daquelas com câmeras de TV doidas para pegar algum artista, alguém da mídia que bebeu ou que tenha o IPVA atrasado, mas não revistam ninguém, não dão uma geral no carro, não pedem para abrir a mala do carro nem nada. Então quer dizer que eu posso andar com 100 kg de cocaína no carro, mas beber duas cervejas é um absurdo? Poupe-me Brasil!
Continuo batendo na tecla que isso tudo é uma palhaçada gigante, visto pelo circo armado fim de semana na Barra da Tijuca, em que todas as pistas de todos os caminhos estavam com blitz... Isso é pra que? Proteger o cidadão? Se fosse porque não revistam os carros, vejam se tem armas, se são procurados, etc.
Por que não montar essas blitz na porta de favela, em diversos trechos da linha vermelha, linha amarela, etc.
Eu nem sei porque reclamo tanto disso, até porque de um país com valores totalmente distorcidos em que Big Brothers e Bruna Surfistinha´s da vida viram ídolos e exemplos de algo, isso já deveria ser totalmente esperado...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Falta pouco

Sei lá, hoje to meio sem inspiração, mas quis escrever sobre um tema bem complexo. Isso talvez faça parte da minha mania de só sossegar quando faço algo que acho que tenho que fazer... Mas minha vida pessoal não interessa muito a ninguém
Aí me peguei pensando sobre sentimentos e quão solitário cada um deles é. Desde a alegria a tristeza tudo é muito egoísta, porém no meio desse egoísmo sentimental existe um sentimento que nunca está sozinho... A saudade
Na música Angra dos Reis, Renato Russo (sempre ele) falou: “Se fosse só sentir saudade, mas tem sempre algo mais” e pra mim a saudade realmente nunca vem sozinha...
Sempre quando sentimos saudades ela vem com tristeza, raiva, compaixão, arrependimento, frustração, entre outros, como em um daqueles açaís do subúrbio em que se coloca de tudo... Todas as combinações são possíveis.
Podemos sentir raiva de ter saudade, tristeza de ter saudade, até aquela gostosa alegria de ter saudade... Mas nunca é “só” saudade...
Normalmente o sentimento existe porque nós temos a “síndrome do Faustão” de achar que tudo é grandioso demais naquele momento e temos a visão romântica de que tudo que passa era melhor. Sim... Tem gente que sente saudade até de sentir dor.
Segundo especialistas em saudades (entende-se especialistas por sofredores) existem saudades de todo o tipo e para todos os gostos. Saudade de alguma situação, saudade de alguém, saudade de ter saudade e até saudade do que nunca viu. Tem saudade para tudo. Normalmente as saudades das pequenas coisas são as piores, como a falta do email, do telefone, da conversa, do olhar, da Cia, dos conselhos, das brigas e das pazes... A saudade do detalhe em geral.
Em minha opinião as saudades das pequenas coisas são piores porque são mais difíceis de serem compensadas, de serem refeitas e pra mim isso virou até uma desculpa muito comum para se lamentar e não buscar nossas esperanças, se agarrar naquilo às vezes é mais fácil mesmo que seguir em frente. Até porque para alguns o que vale buscar novas coisas para depois sentir falta também, pra quê né?
O problema nisso tudo é quando deixamos que a saudade guie a nossa vida e assim acabamos por ter a percepção de que nada de novo que aparece tem tanta graça como o que se foi... Triste né? Mas não! A vida sempre continua e sempre continuará com suas inúmeras voltas por mais doloroso que seja, por mais forte que seja aquela dor, ela tem que seguir sozinha e nos deixar retomar nossa vida. Sentir saudade sim, ela pode existir pra sempre, é saudável, dá humildade em quem precisa, ensina a não repetimos erros, cair em ciladas antigas, mas nunca podemos esquecer o que ainda está por vir, pois... Para quem não sabe aonde vai, qualquer ônibus serve... E será isso é o bastante?

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sonho nosso?

Do nada
Como quem chega a uma festa sem ser convidado
É assim
Desse jeito irritante e abusado
Que você aparece no meu sonho
Parece um livro de Dostoiévski
Com aquelas tramas bem insanas
Que não tem muita lógica
Mas nem por isso vou dizer que é ruim...
Com parte do rosto coberto
Fica mais fácil encarar a vida
Tem muita coisa que você precisa saber
Na verdade
De interessante
Só tem algo que você precisa saber
Mas nunca dá pra te dizer...
Tentei colocar no letreiro
Mas ele foi apagado
Tentei gritar pro mundo
Mas o mundo é um mundo
E assim
Todo mundo ia ouvir
Não tem problema se alguém contar na minha frente não
Até porque nem precisa ser da minha boca
É simples
É fácil
Você vai entender
Todo mundo já entendeu
Acho que só você não entendeu
Ou percebeu
Que as histórias sempre são boas
A noite é sempre o melhor
Mas ainda vou te falar
Só não descobrir como
Ainda vou te pedir
Nem que seja com jeitinho
Para pelo menos um dia...
Ou no caso uma noite
Deixe meu sono em paz

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O que somos?

Poucos dias após a euforia de sermos Cidade Olímpica, nós cariocas passamos a viver uma guerra urbana, não que isso seja muito fora do nosso dia a dia, mas ultimamente o bicho ta pegando mesmo...
A imprensa mundial e até mesmo nacional está falando com tom de ironia sobre como a nova Cidade Olímpica está em uma verdadeira guerra com o tráfico de drogas... Estão eles totalmente errado?
Sempre nesses momentos de tensão, milhares de críticas são feitas a polícia e ao governo... E aos bandidos?
Não estou defendendo bandeira de nada, até porque graças a Deus eu nem vivo fortemente esse dia a dia de terror, porém, não vejo moradores de favela falando mal de traficantes, para eles o errado sempre é a Polícia. Será medo? Talvez... Mas certas situações são demais.
No caso da morte daqueles quatro jovens que chegavam em casa de madrugada e foram mortos por traficantes, a família ficou indignada com a Polícia que disse que eles eram bandidos... Mas e quem os mataram? Não tem culpa?
Outra coisa no mínimo engraçada é que pra mim usuário de droga é tão bandido como um traficante ou policial corrupto, pois eles de uma maneira direta e às vezes indireta fornecem dinheiro e dão condições para o tráfico comprar armas e depois em uma esquina qualquer dessas ai acabar com a vida de algum familiar... E depois que isso acontece à culpa é governo? A culpa é da Polícia? Não porra, a culpa é você que gosta de um beckzinho, que gosta de um teco... Mesmo que seja “Só de vez em quando”.
E nós que não somos usuários, porém olhamos em nossa volta toda a pobreza e violência dessa cidade e não fazemos nada para mudar... Também não temos culpa?
No caso da violência no Rio a solução é todos agirmos em conjunto, nós fazendo nossa parte de buscar soluções e ajudas, a porra do viciado parando de ser viciado, os moradores parando de acobertar traficantes, a policia deixando de ser corrupta, o governo deixando de pensar em dinheiro e o bandido... Ah e o bandido morrendo sei lá... E aí sim poderemos nos definir, se somos Cidade Olímpica ou Cidade Desespero???

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Pedras não... Aerólitos...

Mais uma vez estava vendo um filme que passava na TV sem pretensão, e mais uma vez um filme me levou a escrever algo que não tem muito a ver com o filme... Acontece.
O filme era sobre o grande Ilusionista Houdini que nasceu, viveu, fez algo legal durante a vida e morreram como quase todos que ganham um filme...
Aí fiquei pensando no ilusionismo, no circo e em como a fantasia está cada vez mais distante. Não estou falando de mim ou da minha geração, até porque não quero pessoas com 20 e poucos anos ainda acreditando no Papai Noel e sendo fãs do Mickey, mas to falando da infância em geral, da geração 100% internet.
Eu, um ser totalmente preguiçoso sem internet hoje em dia não faço nada, porém acompanhei bem a “transição” da geração do conteúdo x a geração da informação. Sim, com a internet hoje temos muita informação, porém temos muito pouco conteúdo e informação demais por incrível que pareça, às vezes atrapalha.
As crianças hoje em dia são muito aceleradas com os acontecimentos, descobrem hoje coisas muito mais rápidas do que descobríamos. Se antes queríamos saber sobre algo, tínhamos que perguntar para pais, tios, avós, professores e se não devíamos saber sobre aquilo, éramos enganados... Errado? Acho que não. Realmente tudo tem sua época. Hoje a criança digita sobre o assunto no Google... Pronto, ta tudo lá. Se queríamos descobrir o que significava determinada palavra era foda. Tínhamos que pegar aquele Aurélio todo empoeirado com as folhas amareladas e a capa meio rasgada e procurar folha por folha, ou então se perguntássemos para alguma professora de português, fudeu... Aprendíamos prefixo, sufixo e o “ixo” a quatro... Mas era legal. Hoje não, o Google se tornou o novo Pai dos Burros (sim o Aurélio foi traído) e tem feito de tudo ultimamente, até filho daqui a pouco o Google vai fazer...
Aí, pensei em transportar toda esse acesso fácil de informação para os “nossos tempos”, será que teríamos sido tão inocentes com a internet como fomos sem ela? Acho que não, porque talvez com ela teríamos descoberto que a Xuxa fez um filme pornô com uma criança, que a Mara Maravilha era maluca e viciada, que o Sergio Malandro espancava as Malandrinhas, que uma galera do Chaves já tinha morrido, que o Bozo era viciado em cocaína e que o Zacharias era Homossexual e morreu de AIDS...
É, acho que foi bom do jeito que foi mesmo... A ignorância realmente era uma dádiva, e foi muito feliz viver em uma infância em que nem precisávamos saber muita coisa pra ser feliz, talvez a simples diferença entre Pedras e Aerólitos...