quinta-feira, 9 de julho de 2009

Vou dormir hein...

Quem não se sensibiliza com a dor alheia? Quem não sente pena em ver alguém passando necessidades, pedindo um prato de comida? A realidade socioeconômica mundial é muito dura, e eu não estou aqui para discuti-la até porque não tenho conhecimento aprofundado do assunto.
Eu entendo que nem todos têm condições, eu entendo que algumas pessoas necessitam pedir para sobreviver, mas só eu que acho certos “pedintes” chatos?
Algumas pessoas que pedem na rua parecem estudar friamente o comportamento humano. Eles sabem o que nos causa constrangimento ou comoção.
Quando estamos comendo e alguém pede um dinheiro pra comprar comida é uma situação muito chata, estamos pagando a conta e alguém pede: “Tio, me da um dinheiro pra comprar algo pra mim comer”(mesmo se o dinheiro for pra comprar cachaça) e você diz: “To quebrado” e a pessoa sabe que você tem dinheiro... É muito chato, como se pensasse "Po, eu comi, por que ele não pode também?".
Quando alguém aparece com um filho no colo e pede um dinheiro para comprar um remédio ou um leite, quem não fica comovido?
Quem também não se comove com alguém com algum tipo de deficiência física vendendo algo no sinal?
Eu não quero parecer insensível, preconceituoso ou algo do tipo. Nunca vivi, mas imagino da necessidade que cada um passa, sei dos problemas, sei que deve ser difícil não ter o que comer e tudo mais, porém acho que certos casos são exageros e precisam de limites.
Já que o governo gosta de regulamentar tudo, por que não regularizam os pedintes também? Deixe apenas na sociedade os que realmente precisam já que pedir para ajudá-los seria demais. Iindique momentos e lugares para fazerem seus pedidos, ensine-os a não apelar tanto, não usarem crianças se realmente não for necessário, não usarem alguma deficiência física de alguém, e nunca mentir sobre o real fundamento do dinheiro.
Pedir na rua é muito mais fácil de correr atrás (já disse, existem casos e casos), morar na rua realmente deve ser muito mais “legal” do que em dezenas de abrigos que existem por aí.
Na verdade acho que em alguns momentos nos somos pressionados a dar algo pra alguém porque assim achamos que estamos evitando que mais um criminoso surja na “praça”, mas confesso que o discurso do “Eu poderia estar matando, poderia estar roubando” não me convence não, até porque eu também poderia estar dormindo, mas estou aqui escrevendo no blog e não ameaço ninguém com isso...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Disciplina é liberdade

Será que alguma vez na vida já fomos realmente livres?
Sempre falamos de liberdade, sempre almejamos a liberdade, mas nunca conseguimos explicar o que é... Alguém já tentou?
Se não, a pergunta fica no ar: Como podemos querer algo que não sabemos explicar?
Filosoficamente liberdade de maneira negativa é considerada como ausência de submissão e de servidão e de maneira positiva liberdade é a autonomia e a espontaneidade do indivíduo. Mas a liberdade pode ser considerada apenas esses fatores? Se estes estiverem bem estabelecidos em nossas vidas poderemos nos considerar pessoas livres?
A própria sociedade nos aprisiona em normas de condutas e regulamentos que faz a gente perder um pouco desse conceito padrão de liberdade, que é fazer o que quiser, da maneira que quiser e quando quiser (para todos livres são os loucos). Pensando nisso a numeração de documentos, números em bancos, universidades, enfim todo sistema de controle é aprisionador.
Quanto mais evoluímos nesse sentido, menos liberdade passamos a ter. Somos o tempo todo vigiados e acabamos por fazer coisas simplesmente porque devem ser feitas. Seguimos o tempo todo o que a sociedade nos dita, o que é certo ou errado, estamos perdendo cada vez mais o conceito de escolha que se resume a escolher entre opções pré-determinadas por alguém. Isso pode ser considerado liberdade?
A liberdade está diretamente ligada ao nosso bem-estar e não a nenhum tipo de obediência ou aprisionamento. Não está ligado ao fato de estarmos ou não sozinho, de sermos subordinados ou não a alguém, mas sim estar em um caminho único em que queremos estar, é não ter dúvidas entre opções.
Em outras palavras, liberdade pra mim é a certeza de que não existe nada mais certo do que a decisão que estamos seguindo, independente se tem alguém vendo, controlando, vigiando, se gosto de música ou torço pro Flamengo...

terça-feira, 7 de julho de 2009

Tesouro perdido

Quando era criança sempre tive um verdadeiro pavor de me perder dos meus pais, lembro-me até de episódios em que me desesperei com essa possibilidade. O tempo passa a gente cresce (pelo menos no tamanho), as coisas mudam, e continuamos com medo de nos perder, mas por que a gente diz que nos perdemos?
Hoje em dia é muito comum a gente ouvir alguém dizer: “Fulano está perdido”, “Eu estou perdido”, estamos perdidos de quem? E por quê?
Normalmente quando estamos “perdidos”, é uma analogia para explicar que não sabemos que caminho seguir em determinada situação da vida. Geralmente na fase adulta tudo é mais doloroso, porque além de perdemos pessoas, acabamos-nos “perdendo” de nós mesmos.
A situação fica insustentável e a necessidade de respostas é constante, um oceano de incertezas se instala e cada vez a gente se afoga mais nele. Daí começamos a fazer coisas que nunca fizemos, experimentar coisas que nunca experimentamos (tem gente que até exagera), procurar dons que nunca tivemos e quando falhamos nisso tudo, dúvidas sobre o futuro são constantes, insatisfação com o presente, medo, angústia e pressão, tudo ao mesmo tempo.
Nesse momento de total caos sempre surge um aspirante a gênio com o clichê: “Você só vai se achar dentro de você mesmo”, quem nunca ouviu essa conclusão? E quem alguma vez a seguiu e conseguiu resolver o problema? Como assim me encontrar dentro de mim mesmo? Acho isso obvio demais e não resolve muito o “nosso”problema.
Estar perdido, para mim, é quando algo não sai como foi planejado é quando algo saí do nosso controle. Estar perdido é quando realizamos menos do que queríamos, quando perdemos mais do que podíamos perder, ou em certos casos, quando temos mais que merecíamos ter...
Entre outras palavras estar perdido é na verdade a nossa vontade de reviver um passado em que achamos que fomos bem mais felizes, pois se achamos que agora estamos perdidos é porque em algum momento já nos sentimos “achados”...

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Declare Guerra

O trânsito daqui é meio louco, se bem que o de São Paulo é bem pior, mas todos nós do Rio de Janeiro sabemos muito o que é estar de carro e a dificuldade em certos lugares de se conseguir uma vaga. Você roda, roda e roda mais um pouquinho aí acha uma vaga horrorosa, depois de suar muito e lembrar que a auto-escola não serviu de porra nenhuma, já que você gravou a baliza e não aprendeu a fazer. Aí quando você consegue parar e desliga a chave você vê um ser lá no fundo com uma pochete presa no peito e correndo igual a um Queniano na Maratona de São Silvestre que grita de longe: “Hei chefe, ta comigo”... Entre outras palavras eis que surge um flanelinha.
Os Flanelinhas são iguais aos gremelins (não sei se escreve assim),eles saem de todo lugar, não param de crescer (estudos demonstram que em breve será a profissão com mais pessoas no mundo) e quando chove então é que eles aparecem em maior número.
Eles são malandros porque não tomam conta de carro algum, nunca estão lá quando você volta e mesmo assim exigem o pagamento... Por acaso a rua é deles?
Se pararmos pra pensar o que eles fazem é praticamente um assalto, já que a grande maioria não impediria roubo algum. Damos dinheiro porque ficamos com medo deles roubarem o nosso carro, e mesmo assim, mesmo pagando isso acontece.
Quem para o carro na rua e dá às vezes até 10 reais para o Flanelinha não deixa de ficar preocupado, pois sei de vários casos de quando a pessoa voltou encontrou o carro estava arrombado, sem rádio e até cagado... (um dia conto esse episódio melhor... he he he he)
Moral da história: você no fundo paga o Flanelinha ou porque fica com medo ou porque tem pena, mas porra, a vaga não é deles, às vezes da vontade de falar: “Vou parar aqui e acabou”, mas aí posso ficar sem carro quando voltar e com a polícia que temos não é... Fica difícil se garantir já que dizem (esse dizem é tão fácil né, Quem falou??? Ah me disseram... Mole, mole) que alguns policiais são os verdadeiros donos das vagas. Alguns Flanelinhas até têm um ótimo padrão de vida devido a vagas que eles se apropriaram e que são públicas, ou da prefeitura sei lá, mas não devíamos pagar por isso. Nada contra eles terem dinheiro, mas pera lá né.
Nós pagamos nossos impostos, pagamos IPVA caro demais, pagamos passagem com impostos, por que temos que pagar estacionamento na rua? Por que temos que pagar Flanelinhas?
Por que a prefeitura, ou seja, lá quem for, ao invés de ficar fazendo essa PALHAÇADA de operação lei seca, também não fiscaliza isso? Mas não, nosso querido Prefeito colocou ainda mais reboques na rua acabando assim ainda mais com vagas e as que sobram passam a valer ainda mais na mão dos Flanelinhas citados no texto. Ou melhor, inspirado no Nepal, poderíamos tirar de circulação todas as flanelas do mercado, e assim sem flanelas eles não poderiam trabalhar, pois Flanelinha que se preze tem que ter um flanela daquelas amarelas sujas de graxa.
Eu queria mesmo era ser capaz de poder mobilizar a população para um boicote geral aos Flanelinhas, mas com o número de leitores que tenho aqui, talvez só meus pais façam isso. É triste não ser famoso....Se fosse o blog do Luciano Huck todo mundo ajudaria...
Então o jeito é me conformar e começar a acreditar que isso nem é tão absurdo assim, já que vivemos em um país em que pagamos pelo o que não usamos, nada mais aceitável do que pagar pelo menos pelo que usei... Até quando?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O Pop não poupa ninguém

Na minha humilde concepção, moda pode ter duas interpretações.
A primeira vem de fazer moda, estilistas, modelos, desfiles, enfim, todo o mundo da moda em si. A segunda, que eu prefiro chamar depressivamente de modinha é a de seguir a moda, que entre outras palavras é todo mundo tentar ser igual a todo mundo.
Certa vez eu ouvi que tendência é a uma desculpa criada para justificar a arte de imitar os outros e a achei muito pertinente. Agora vejo que minha mãe estava certa quando dizia que eu só me espelhava nas coisas “ruins” dos outros, só pegava manias ruins (podemos pensar que mania pode ser considerado uma moda) geralmente a gente nunca pega o melhor de alguém (a moda de ajudar o próximo nunca pegou).
Desculpe a todos os freqüentadores, quem for muito sensível a críticas pode até parar de ler isso agora (eu aprendi muito vendo João Kleber), mas rave é simplesmente uma moda meio escrota. Vou explicar. Posso falar disso tudo com conhecimento de causa e afirmo que talvez apenas 10% das pessoas realmente gostam de música eletrônica. O resto vai porque é moda. A prova disso é a roupa vestida, o cabelo, os óculos escuros e as drogas. Quem gosta, vai por que gosta, vai para sentir a música, a tão falada “vibe” (acho ridículo esse termo), e não para fazerem parte de um grupo. Quem vai, vai para curtir, e para curtir não precisa se vestir igual a todo mundo.
É mais engraçado ainda se pensarmos que o cara da rave de hoje foi o da micareta de ontem. O amor dele por Asa de águia e Chiclete com Banana acabou? E os adesivos com a patinha do Nana colados nos carros? Sumiram? Por quê?
Uma paixão não pode acabar simplesmente porque a festa chegou ao povão e segundo eles passou a ser mal freqüentada e a Rave está indo pelo mesmo caminho... Qual será a próxima? Samba de raiz?
A micareta sim foi deixada de lado pela grande maioria que a curtiu no seu primórdio e foi trocada por Dj´s internacionais que não sabem o nome, mas que todos fingem adorar. A estrutura tem semelhanças e a disputa ainda existe, mas ao invés de ser quem beijou mais boca é a de quem fica até mais tarde, no dia seguinte sempre rola a pergunta: “E aí, ficou até que horas? Só até as 10h? Você é muito fraco”.
Como eu sei disso tudo? Simples eu também era um dos idiotas que seguiam essa moda.
Eu acho que a moda é uma necessidade que temos de fazer parte de um todo, como se toda a necessidade de status que temos (é eu estudei Maslow também) fosse suprida quando nos sentimos parte de algo. A novela nos mostra isso, e hoje em dia, quantas coisas indianas não vemos por aí? É ruim? Não é ruim...Realmente é bom termos contatos com coisas novas, culturas novas, experiências novas, mas temos que fazer isso porque realmente gostamos ou nos identificamos e não para sermos mais um na multidão.
E se um dia a moda de cheirar merda dos outros pegar, vai ter até gente disputando quem tem a merda mais fedida (peguei pesado nessa né)
Acho que o grande legal de ser quem somos é o de sermos únicos, e mesmo assim tem muita gente querendo ser igual a todo mundo... Vai entender...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Era uma vez um Político chamado cotó...

Fiquei sabendo que no Nepal as autoridades vão obrigar os funcionários do Aeroporto Internacional de Katmandu, o principal do país, a usarem as calças da farda sem bolsos para tentar acabar com a prática de subornos no local.
A medida foi anunciada pela Comissão para Investigação de Abuso de Autoridade do país após o primeiro-ministro ter afirmado que a corrupção está a prejudicar a imagem do aeroporto. A Comissão baseou a sua decisão num número cada vez maior de reclamações contra os funcionários. Além de acusados de aceitar subornos, eles são suspeitos de roubos de objectos da bagagem de alguns passageiros (essa parte de cima eu copiei porque fiquei com preguiça de escrever tudo de novo)
Isso é engraçado, mas é meio triste. Não sei como as coisas funcionam lá no Nepal, apesar de sempre achar esse nome maneiro, Nepal... Dá a idéia de algo longe, meio louco, enfim... Parece que eles acharam a solução para todos os problemas do mundo, é só tirar o bolso da calça, porque sem lugar para guardar o dinheiro, eles não irão roubar... Sensacional!!!! Por que não pensei nisso antes?
Brincadeiras a parte, ou o Nepal a parte, sempre achei um absurdo do tamanho do Nepal (será que o Nepal é grande?), que as coisas em aeroportos fossem furtadas. Será que só eu acho absurdo as malas simplesmente serem abertas? Coisas enviadas serem extraviadas e ficar por isso mesmo?
Hoje em dia todos deixam de comprar diversas coisas no exterior, deixando de movimentar ainda mais a economia mundial (sim, eu sou dramático), porque tem medo de simplesmente não chegar... Coisas grandes como Notebooks, videogames, Bluerays entre outros são impossíveis de ser compradas, simplesmente, porque algum safado vai abrir a sua caixa e vai subtrair o que te pertence e você nunca vai saber quem realmente foi... Só eu que acho isso um absurdo?
Achei a medida tomada no Nepal (gostei de falar isso) meio no sense, porém pior ainda é não ser tomada medida nenhuma.
Mas acho que tenho uma sugestão (se aqui tivesse som, entraria agora uma risada maquiavélica), por que não nos baseamos em alguns países árabes que cortam a mão de todo desgraçado que rouba algo de alguém. Seria interessante ver em aeroportos, correios, vários funcionários com um cotoquinho (desculpem me o pessoal dos direitos humanos). E digo mais: essa solução poderia se aplicar em vários casos principalmente na política e especialmente em Brasília, pois pra mim pior do que roubar alguém que você nunca viu é roubar alguém que um dia já confiou em você...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Viver e não ter a vergonha de ser feliz...

Alguém já viveu aquele sentimento de: “Por que eu não pensei antes?”
Essa pergunta dentro de nós é horrível e muito comum, não vai confessar que nunca depois que você fez suas necessidades no banheiro (desculpem, mas tive que usar esse exemplo, afinal é universal) reparou que estava sem papel, ou que depois de tomar banho viu que a toalha estava molhada e pensou: “Que merda, que idiota que sou...”
Momentos como esses nos deixam bastante irritados com o desejo de querer voltar no tempo por algum segundo e fazer cada detalhe diferente, porém situações como essas não são tão constrangedoras, por quê?
Geralmente o constrangimento é um conceito que temos sobre nós na visão de alguém. Exemplo, cair é sempre ruim, mas quando alguém vê o tombo é bem pior. Não tem nada pior que aquele tombo fenomenal na rua e você olha pra trás e tem alguém te olhando com aquele sorriso de canto de boca e ainda pergunta: “Machucou?”. Na boa a pergunta irrita mais do que o tombo em si, porque no fundo a gente sabe que a pessoa está se mordendo para não rir. Existe algo mais divertido do que aquele tombo acrobático? Tem dias chatos que eu daria tudo para ver um tombinho que fosse. Dependendo me contentaria até com uma escorregadinha de nada.
Não temos vergonha de ficar bêbado, mas sim de quem nos viu bêbado (em alguns casos). Não ficamos confrangidos daquela foto estranha, mas sim de alguém ver aquela foto estranha.
A vergonha é sempre nossa vergonha, porém, de certa forma é um sentimento mais altruísta que existe, pois sempre, ou quase sempre, dependemos de alguém para que ele aconteça. Nesse caso o outro sempre vem a frente.
Dificilmente sentimos constrangimentos quando estamos sozinhos e podemos até nos arrepender, sentir culpa, mas nunca teremos um sentimento escancarado de vergonha que temos na frente de alguém.
Na minha visão utópica de mundo perfeito, um dia a humanidade terá um retrocesso e as coisas serão tão simples que não existirá mais vergonha de tudo e o único tipo de constrangimento que importará é o de não fazer realmente tudo que a gente quer e o de ser feliz.